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quarta-feira, junho 17, 2020

História Crítica da Educação

VIDEOAULAS YouTube HISTEDBR
Disciplina ED-316 Turma A (2010)
História Geral da Educação e da Pedagogia

Aula 01 - Apresentação do plano de curso
Prof. Dr. José Claudinei Lombardi
https://tinyurl.com/ED316A2010-Aula01

Aula 02 - Educação e Ensino em Marx & Engels
Prof. Dr. José Claudinei Lombardi
https://tinyurl.com/ED316A2010-Aula02

Aula 03 - Vladimir Ilitch Lenin e a Educação Soviética
Prof. Dr. Francisco Máuri de Carvalho Freitas
https://tinyurl.com/ED316A2010-Aula03

Aula 04 - Educação e Pedagogia na Rússia revolucionária: o Comissariado do Povo
Profa. Dra. Nereide Saviani
https://tinyurl.com/ED316A2010-Aula04

Aula 05 - Anton Semionovitch Makarenko
Prof. Dr. Luiz Bezerra Neto
https://tinyurl.com/ED316A2010-Aula05

Aula 06 - Moisey M. Pistrak
Prof. Dr. Luiz Carlos de Freitas
https://tinyurl.com/ED316A2010-Aula06

Aula 07 - Escola como Aparelho Ideológico do Estado: Louis Althusser
Prof. Dr. Marcos Cassim
https://tinyurl.com/ED316A2010-Aula07

Aula 08 - Teorias da Reprodução: Pierre Bourdieu, Jean-Claude Passeron, Baudelot e Establet
Profa. Dra. Ana Maria Fonseca de Almeida
https://tinyurl.com/ED316A2010-Aula08

Aula 09 - Antonio Gramsci e a Educação: primeiras aproximações
Prof. Dr. Renê J. Trentin Silveira
https://tinyurl.com/ED316A2010-Aula09

Aula 10 - Pedagogia Marxista da Alegria: Georges Elmer Snyders
Prof. Dr. José Carlos de Souza Araújo
https://tinyurl.com/ED316A2010-Aula10

Aula 11 - Educação e Pedagogia na Rússia Comunista
Prof. Dr. Amarílio Ferreira Jr.
https://tinyurl.com/ED316A2010-Aula11

Aula 12 - A Psicologia Cultural-Histórica e a Pedagogia: Luria, Leontiev e Vygotsky
Profa. Dra. Alessandra Arce
https://tinyurl.com/ED316A2010-Aula12

Aula 13 - Educação e Pedagogia na China Comunista
Prof. Dr. Hai Guoqiang
https://tinyurl.com/ED316A2010-Aula13

Aula 14 - Educação e Pedagogia na Cuba Revolucionária
Profa. Dra. Maria do Carmo Luiz Caldas Leite
https://tinyurl.com/ED316A2010-Aula14

Aula 15 - Pedagogia Histórico-Crítica
Prof. Dr. Dermeval Saviani
https://tinyurl.com/ED316A2010-Aula15

sábado, junho 13, 2020

10 Compromissos Para um Prefeito Inovador



Em poucos meses, iremos eleger o prefeito(a) e estará assumindo em janeiro seu mandato. o cenário que o aguarda está mais para drama do que para comédia.

Isto por que,  há um imenso descompasso entre as legítimas demandas da sociedade e a capacidade do poder público em atendê-las. Dificuldades de gerenciamento, aliadas a um processo civilizatório excludente, resultaram  em  uma triste realidade na qual poucos municípios brasileiros possuem, em pleno século XXI, índices de desenvolvimento humano - IDH considerados satisfatórios pela Organização das Nações Unidas - ONU. Duque de Caxias, apesar de ser o 3º mais rico do Estado do RJ e 16º mais rico do país, tem uma sequencia de governos conservadores e reacionários, transformando o PIB de Inglaterra em IDH de gana. Onde o INGANA  virou costumas. 

Bem, a choradeira para por ai. O que gostaríamos de falar, daqui para a frente, para o prefeito(a) bem intencionado(a) e que queiram, de fato, mudar o filme, é que as grandes alterações que estão ocorrendo no mundo, estão abrindo novas oportunidades para os municípios, não importa onde estejam, nem o seu tamanho.

A globalização da economia, a Internet e uma série de outras novas tecnologias, cada vez mais em conta, criaram uma realidade, ainda pouco percebida pelas administrações municipais, na qual o acesso a  informação, o estímulo a criatividade e a inovação são  tão importantes como os recursos financeiros disponíveis.

Sem a pretensão de construir cenários ilusórios que, em um simples passe de mágica,  apaguem as crônicas carências municipais, esta postagem se propõe, à luz de nossa experiência em assuntos municipais e em inovação em gestão pública, a dar 10 dicas para o prefeito(a) sérios que se interessem em iniciar uma longa jornada para dar à sua cidades uma nova perspectiva.


1. Não tenha medo da tecnologia 💅

O prefeito não precisa necessariamente entender de computador e não deve ter nenhuma vergonha disto. Por outro lado, deve ter a sensibilidade de perceber que a tecnologia é hoje instrumento indispensável para levar qualquer município para frente.  Assim sendo, é fundamental, logo de cara, montar uma equipe boa que saiba mexer com essas geringonças e que atue diretamente sob o comando do prefeito. Há uma série de programas federais e estaduais que podem ajudá-los a treinar seus funcionários, a criar uma boa infra-estrutura de comunicação, a obter bons equipamentos a preços competitivos, e tudo o mais. Na era do conhecimento, uma rede de banda larga vale tanto quanto uma nova indústria ou estrada.

2. Transforme cidadãos em colaboradores 💞

Não se assuste, você não precisa contratar ninguém para isso. Hoje, existem milhões de pessoas dispostas a colaborar, de forma gratuita, para melhorar a vida nas cidades. Na Internet há uma série de programas e serviços gratuitos que podem ajudá-lo na zeladoria da cidade. Com eles,  seus munícipes podem colaborar na fiscalização do funcionamento de hospitais, escolas, creches, conservação das ruas, etc. Existem diversas organizações sociais sérias que podem ajudá-lo na tarefa de localizar e por para funcionar esses programas. Ponha sua turma de tecnologia para ir atrás delas.

3. Não fique acomodado em sua sala 💢

Não tente resolver tudo a partir de seu gabinete ou de dentro da prefeitura. Os computadores, por melhor que sejam, não valerão nada se não forem ocupados com projetos importantes. Para descobri-los, visite cada pedaço de seu município e imagine como você e seus munícipes gostariam de vê-lo daqui 10 anos. Participe de congressos e seminários. Converse com outros prefeitos. e lideranças importantes.  Peça a sua turma de tecnologia que crie um banco de dados com todas as entidades públicas e privadas que podem ajudá-lo não só a resolver os problemas do dia a dia como, também, a criar o município de seus sonhos. Você irá se surpreender como o número de organismos que poderão ajudá-lo.

4. Junte ideias e ponha-as para funcionar 👨👩👩👨💬💬💬💬

Ideias simples postas para funcionar podem solucionar muitos dos problemas do seu município, sem que você precise gastar muito dinheiro com isso Consulte seus funcionários e a população. Colete ideias, tire-as do papel, e premie aquelas que derem certo. Hoje há muitas técnicas, bem em conta, que facilitam esse processo. A sua turma de tecnologia pode descobri-las para você.

5. Estimule a economia criativa 💫💫💫

O que  o desenvolvimento de aplicativos para smartphones, os grupos de rock e a fabricação de bijuterias têm em comum? Todas elas fazem parte de um dinâmico segmento da economia que abriga atividades ou ocupações criativas. Este conjunto de atividades e ocupações tende a ser um dos maiores geradores de riqueza e de novas oportunidades de emprego ao longo do século XXI. Engate seu município nesse trem do futuro. Crie incentivos para atrair pessoas talentosas para sua cidade. Quanto mais facilidades você oferecer, mais talentos você atrairá e mais empregos irá gerar.

6.Melhore a prestação de serviço usando as novas tecnologias e as mídias sociais 👂👀

Quase todos os serviços municipais podem ser melhorados com o auxílio das novas tecnologias (computadores, tablets, smartphones, etc) e das mídias sociais (twitter, blog, youtube, facebook, etc.). Use os serviços de sms  - os chamados torpedos - e o twitter para avisar a população sobre campanhas de vacinação, emergências em caso de enchentes, incêndios, etc., para agendar idas a hospitais, matrículas em escola. Crie unidades que concentrem diversos serviços, e que facilitem a vida dos munícipes. Use sua imaginação que a tecnologia dará suporte.

7. Ponha a administração para conversar 💬💬💬💬

Os problemas municipais estão cada vez mais difíceis de serem tocados dentro de uma só secretaria, departamento ou unidade. Eles envolvem o esforço de diversas especialidades. Por exemplo, um programa habitacional não pode se esquecer da segurança, das creches, do uso do solo, do transporte e por aí vai. Para que essas ações não tragam dores de cabeça depois, pense nisso enquanto eles estão no papel. Ou seja, junte todos os envolvidos para fazer um bom projeto que não perca nenhum detalhe que possa significar atrasos ou dinheiro jogado fora. Programas de um dono só geralmente não dão certo. Trabalhar em equipe é fundamental nos dias de hoje. Comande sua turma e ponha-os para conversar e elaborar conjuntamente os projetos. Depois disso, defina os gerentes que conheçam o problema e que saibam trabalhar em equipe. Dá trabalho antes, mas evita a UTI, depois.

8. Compre bem 👀

Comprar bem, usando a legislação adequada, constitui uma das mais importantes atribuições dos prefeitos. Uma compra cuidadosa permite não só esticar os normalmente escassos recursos colocados à disposição das prefeituras, como promove a transparência dos atos públicos. Felizmente, essa nobre missão, hoje em dia, está muito facilitada. O governo federal e administrações estaduais possuem hoje sites específicos, de ótima qualidade,  para orientar as compras públicas. O Governo de São Paulo, por exemplo,  mantem uma página na Internet, o CADTERC - Cadastro de Serviços Terceirizados, a mais importante referência nacional sobre esta questão. Nela, as prefeituras interessadas irão encontrar os preços referenciais para os principais serviços a cargo das municipalidades, estudos sobre formação de preço dos mesmos, simuladores de gastos e economia, além de links que apontam para a legislação que regula essa matéria, informações sobre pregões, manuais de editais, etc. O site e seus links são um autêntico consultor on-line trabalhando descanso para sua prefeitura sem cobrar nada por isso. Não deixe de usá-lo.

9. Transforme seu município em uma grande escola 💃💨

Prover educação de boa qualidade a todos os brasileiros é provavelmente o maior desafio nacional. Somente por meio de ações sérias e continuadas nessa área, conseguiremos diminuir, de forma consistente, as desigualdades que ainda nos envergonham e entrar pela porta da frente na emergente sociedade do conhecimento. As prefeituras tem papel fundamental nesse esforço. A escola no século XXI não pode se  limitar a um determinado espaço físico para o qual as pessoas se dirigem em determinado horário. A aprendizagem, em nossos dias, precisa muito mais do que isso. A escola tradicional é apenas um dos locais destinados ao ensino. Aprender hoje é atividade continuada que abrange todo o ciclo de vida, desde o maternal até a melhor idade. Para tanto, qualquer próprio municipal, as relações de vizinhança, a casa dos munícipes, os pontos gratuitos de acesso a Internet, o celular de cada um, as empresas instaladas em sua cidade  e, obviamente, as escolas tradicionais devem formar uma grande rede de aprendizagem no ar 24 horas por dia 7 dias por semana que impulsione ações pedagógicas inovadoras  que englobem a alfabetização, a reciclagem profissional, a  preparação  para as novas ocupações que estão nascendo, entre outros desafios. Vá atrás de quem esteja interessado em revolucionar seu município. Você irá encontrar muitos sócios nessa empreitada. Também aqui, a Internet irá ajudá-lo a descobrir parceiros.

10. Crie uma marca Positiva para o Município 👍👍

Lembre-se que, no Brasil, existem 5562 municípios, além do seu. Por isso, é de todo conveniente criar uma marca que o distinga dos demais e que deixe bem claro os enormes desafios que você está abraçando para prepará-lo para o século XXI. Envolva toda a municipalidade nesse esforço criativo e premie as melhores sugestões. Para conseguir patrocínios fale com o coração e explique seus sonhos. Se você acreditar neles e estiver firmemente empenhado nessa revolução não faltarão organismos que queiram ajudá-lo.


Relembramos, para acabar, que essas dicas não são saídas milagrosas que irão transformar sua vida em um mar de rosas e sua cidade em um paraíso sobre a terra. Isso, infelizmente, não existe. Mas uma coisa podemos assegurar, se você tiver vontade política de implementá-las, ao cabo de 2 anos, seu município terá mudado de patamar e começará enxergar novas oportunidades para as atuais e futuras gerações que pareciam impossíveis no dia de sua posse.

Racismo ambiental: o que é importante saber sobre o assunto

A ativista Stephanie Ribeiro fala sobre o conceito de racismo ambiental e como é importante que a população negra se preocupe com os impactos da ação humana no meio ambiente: "Pensar sobre racismo ambiental é importante para considerar tantas questões antes de achar que pautas de meio ambiente são 'coisa de branco'. Crianças negras levam tiro da polícia, sim. Assim como morrem de toxoplasmose em áreas insalubres, contaminadas em áreas que são lixões industriais e vão morrer ainda mais nas secas, fome e processos de imigração."

Jovem durante a greve pelo clima (Foto: Getty Images)
                      Jovem durante a greve pelo clima (Foto: Getty Images)

Desde que o meio ambiente e Greta Thunberg ganharam notoriedade nas manchetes, muitas pessoas estão usando a pauta racial para desvalidar a pauta ambiental, por isso nesse texto vou tratar sobre racismo ambiental, e mostrar como as coisas se relacionam. Afinal, mesmo que há anos ativistas negros venham mostrando como as pautas de gênero, classe e raça afetam toda a estrutura em que estamos inseridos, ainda é complexo entender como isso se dá associado ao meio ambiente. Então, o que é racismo ambiental?
É um termo cunhado por uma pessoa negra, para que ninguém tenha dúvidas da importância de sua origem na luta racial, no caso pelo Dr. Benjamin Franklin Chavis Jr. Ele, que é um líder negro pelos direitos civis, chegando em sua juventude a ser assistente de Martin Luther King Jr., no ano de 1981 cunhou o termo a partir de suas investigações e pesquisas entre a relação de resíduos tóxicos e a população negra norte-americana.
Segundo sua própria fala,"racismo ambiental é a discriminação racial no direcionamento deliberado de comunidades étnicas e minoritárias para exposição a locais e instalações de resíduos tóxicos e perigosos, juntamente com a exclusão sistemática de minorias na formulação, aplicação e remediação de políticas ambientais."
Vamos entender que existe toda uma lógica de poder na escolha de áreas que serão exploradas e como essas áreas serão exploradas, danificando a vida e saúde de povos marcados por sua identidade racial, como negros, indígenas, latinos e asiáticos. Dado que o conceito se ampliou em seu entendimento sobre afetados, mesmo que tenha surgido com um homem negro focado nas questões envolvendo a comunidade negra norte-americana, hoje o conceito e suas aplicações são mais diversas, inclusive no que diz respeito à identidade racial das vítimas, como explica o texto de Maíra Mathias O que é racismo ambiental.

Inúmeros cientistas sérios estão alertando para uma série de mudanças climáticas com impactos diretos na vida e sobrevivência humana, o que chamam de colapso climático e que são frutos do superaquecimento do planeta pelas ações humanas de imprudente devastação e exploração. Algumas das possíveis consequências segundo esse artigo são:

• Ondas de calor pelo mundo;
 Secas e incêndios;
 Ciclones devastadores e simultâneos;
 Chuvas e enchentes;
 Um milhão de espécies em risco de extinção.

Considerando todas essas implicações previstas por uma série de especialistas de universidades renomadas, de diferentes países e até da própria ONU, estaremos num colapso também social. É importante ressaltar que são perspectivas de futuro que, se você não pesquisa esse tema, não pode colocar juízo de valor sobre sua importância/veracidade, estamos falando de dados e não do que achamos. Eu realmente gostaria de achar que tudo seria lindo e melhor, contudo não é isso que alertam para o nosso futuro próximo. E é diante disso que especialistas da ONU já usam termos como:
Apartheid climático: Imaginando uma realidade escassa, seca, cheia de conflitos, ausência de comida e com muito calor, as regiões do planeta serão diferentemente afetadas conforme sua posição física, econômica e social. Países com mais recursos, mesmo que muito afetados, poderão lidar melhor com os danos disso, diferente de países que ainda enfrentam dívidas e economia instável. Outro ponto é que as áreas menos afetadas ou com clima mais agradável serão de disputa. Com isso, os mais ricos vão se sobressair no acesso a esses territórios. O que nos leva para o segundo ponto:

Gentrificação climática: Hoje em dia já usamos o termo gentrificação para nos referir a áreas que passam a se tornar interessantes para a classe média e/ou elite e geram a expulsão de antigos moradores com o aumento do preço da terra. Imagine isso numa escala global, com a mudança de clima e aumento do calor, ricos vão mudar para áreas mais frescas, menos inóspitas e com menores impactos de desastres. Isso irá aumentar o valor da terra nesses territórios, expulsando nativos e impedindo o acesso de pessoas mais pobres.

Refugiados climáticos: Vão se ampliar os casos de pessoas tendo que fugir de seus países, de sua origem e cultura visando sobreviver diante de suas terras devastadas ou improdutivas por conta das mudanças climáticas advindas desse processo do colapso ambiental.

E como isso se transforma numa questão racial? Não preciso nem lembrar que os mais ricos e os mais pobres possuem identidades raciais muito bem definidas num sistema como o nosso. E aí entra novamente a questão do racismo: seremos alvos fáceis. Conseguir asilo será mais difícil para aqueles que já são “marcados” (já vemos isso acontecendo na Europa em relação a africanos e árabes). Pela ausência de recursos, não teremos chance de escolher como e onde viver, seremos expulsos de nossas terras caso elas se tornem mais interessantes para quem tem mais dinheiro. Populações serão extintas. Ao pensar em mulheres, já se sabe que em catástrofes ambientais, elas são afetadas de forma diferente: se tornam alvos mais vulneráveis para violência sexual e tem seu fazer mais afetado, já que muitas são camponesas, assim como negros, pobres, indígenas, asiáticos e latinos.

Pensar sobre racismo ambiental então é importante para considerar essas e tantas outras questões, antes de achar que pautas de meio ambiente são "coisa de branco". Crianças negras levam tiro da polícia, sim. Assim como morrem de toxoplasmose em áreas insalubres, contaminadas em áreas que são lixões industriais e vão morrer ainda mais nas secas, fome e processos de imigração. Por isso, é e sempre será uma pauta racial a discussão sobre meio ambiente, bem viver e território. Genocídio não é só a morte por tiro, é toda a lógica de exclusão baseada na nossa identidade racial que faz com que nossas vidas sejam descartadas dentro do sistema. Seja no tiro direto, seja pelo não acesso a tratamentos de saúde, por contaminação do meio, pelo não cuidado com doenças psicológicas, etc, nós somos e continuamos alvos fáceis desse jogo em que alguns são vistos como dignos do direito à vida e outros como descartáveis para manutenção do sistema.

sexta-feira, junho 05, 2020

Cinco perguntas para a pauta ambiental de seu candidato nas eleições de 2020

Eleições


É desnecessário dizer que as pautas ambientais nunca foram estrela de debates presidenciais. Nunca! Na verdade, até as primeiras candidaturas da Marina Silva nos anos 2000, sequer eram tema.
A assunção era ainda aquela herança do governo militar: meio ambiente é um empecilho para o desenvolvimento, logo não haveria motivo para uma preocupação específica. As poucas menções a florestas geralmente viam atreladas à defesa do nacionalismo ufanista – de “A Amazônia é nossa!” para baixo.
A chegada da Marina Silva no debate mudou um pouco isso por dois fatores principais: primeiro, era uma ex-Ministra do Meio Ambiente, com histórico de luta ambientalista e que chegava propondo um “novo modelo” de política, uma “terceira via” ante a já visível polarização PT-PSDB. Segundo, seu inegável sucesso: devemos lembrar que nas eleições de 2014, por conta de uma série de eventos premeditados (como a aliança com os Socialistas pra viabilizar sua campanha) ou não (como o trágico acidente com Eduardo Campos), por muito tempo Marina Silva chegou a liderar as pesquisas eleitorais, não chegando ao segundo turno após uma reconhecida campanha de “desidratação” do PT a sua candidatura.
Daí, todos os candidatos tinham que, no mínimo, saber do que se estava falando ao abordar a temática “meio ambiente”. O problema é que ficamos mesmo no mínimo. Não que outros tópicos tenham uma elaboração muito mais complexa – a plataforma eleitoral do PT se resumia a duas páginas e, salvo engano, a do PSDB nem a isso chegava – mas por meio ambiente ser um tema ainda marginalizado, ainda que, ao menos, agora lembrado, o “debate” orbitava em torno da preservação (“Temos que parar com o desmatamento!”), do desenvolvimentismo (“Há de se arranjar emprego para as populações que vivem da floresta!”) e do… lúdico-nacionalista (“O Pantanal e suas belezas…”).
Chegando a 2020, a pandemia da Covid-19 tomou conta da pauta e o silêncio é ainda mais palpável. Obviamente temos pautas de urgência inegável, temos situações que demandam atenção redobrada por parte dos postulantes ao cargo de prefeito, mas seja pela cobertura da mídia, seja pela ausência de foco (ante a inexpressiva força eleitoral que o foco às questões ambientais dá, sejamos francos), o silêncio grita.
Ironia

Neste sentido, a fim de contribuir com o saudável debate democrático que temos que ter nesse ano de definições de projeto de país, deixo aos candidatos (e, principalmente, aos eleitores), cinco questões em aberto que devem ser encaradas por nosso novo mandatário:
  • Nos últimos anos passamos por dois desastres ambientais de proporções hercúleas – Mariana, Brumadinho e Bacarena –; no primeiro e segundo casos, as compensações ao Estado e às famílias atingidas foi muito aquém ao que realmente era necessário, sendo que temos famílias que estão longe de voltar a uma situação sequer próxima a que tinham antes do ocorrido. Será política de Estado de seu governo a manutenção de uma lógica punitiva a população e permissiva ao setor privado em nome de um desenvolvimentismo cego?
  • 2020 está sendo um ano mais crimes ambientais que os anteriores, mas, ainda assim, a uma negação do governo brasileiro e prefeitos de várias regiões do Brasil e está longe de ser superados – em especial em um cenário de mudança do clima que tende a gerar anos mais secos como sentimos no início dessa década. Qual seu plano de governo para fortalecer, de forma preventiva, a segurança ambiental no município?
  • Quando do lançamento do PLANSAB – Plano Nacional de Saneamento Básico foi instituída a meta de universalização do saneamento básico no Brasil até 2033. Hoje, metade da população brasileira sequer tem acesso a esgoto e, desse (pouco) esgoto coletado, metade não é tratado. Estima-se a necessidade de R$ 304 bilhões em investimentos para que a meta da universalização seja atingida. Como compatibilizar a necessidade de recursos, um Estado cujo investimento em infraestrutura tem sido visivelmente decrescente e, principalmente, essa gritante ausência da presença do Estado em um direito básico para a saúde de milhões de brasileiros?
  • As NDCs – Contribuições Nacionalmente Determinadas  brasileiras referentes ao Acordo de Paris preveem uma redução das emissões brasileiras em 37% até 2025 (partindo como base as emissões de 2005), ou seja, ainda dentro de um governo de 8 anos, contando com a reeleição. Dois dos fatores que mais pesam nas emissões brasileiras são desmatamento e emissões agrícolas. Como compatibilizar a lógica do desenvolvimento de uma economia claramente agroexportadora (e que se apoia em monoculturas extensivas) com esses compromissos internacionais assumidos?
  • Em 2010, o Plano Nacional de Resíduos Sólidos previa a extinção dos lixões em 4 anos e a necessidade de que cada um dos mais de cinco mil municípios brasileiros contasse com um Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos. Por nenhum dos dois pontos ter sido cumprido em tempo hábil, a obrigatoriedade do fim dos lixões ficou para 2021 e dos Planos Municipais para 2020 (ou seja, dentro de seu mandato). Como compatibilizar uma necessidade das mais básicas, cuja pauta é muito mais que ambiental, é verdadeiramente de saúde pública (em especial da população mais pobre), com um plano factível de implementação de uma promessa do Estado brasileiro à sua população?
candidato
Texto reconstruído a partir do texto de Fernando Malta - Mestre em Engenharia Ambiental.

A DOENÇA DETECTADA E O REMÉDIO DA PF NÃO CURA A DOENÇA DE DUQUE DE CAXIAS, A OPOSIÇÃO TEM QUE BUSCAR A VACINA

 Além da Operação Anáfora: a oposição precisa de um projeto, não apenas de holofotes A Polícia Federal cumpriu seu papel ao escancarar, mais...