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sexta-feira, dezembro 24, 2021

DESEJOS DE NATAL

Escrever na Data de Véspera de Natal é um desafio. Não porque  não sabemos o  que desejar,  mas, porque nos parece que tudo já foi escrito e podemos escrever de novo. Mas tentemos  sem medo.



O que desejarmos em temos pandemicos? . Que Bolsonaro e seu governo vá para o Polo Norte e fique por lá, parece razoável, porém, a paz do bom velhinho de vermelho iria acabar, fora que suscitaria desconfiança entre os povos, um ser humano como o capitão, tendo a oportunidade de falsificar os presentes e fazer cartões falsos, fora que os presentes seriam só armamentos. Então, para a tranquilidade Internacional (vamos mantê-lo aqui) e derrotar em primeiro turno em 2022, será um natal por vir fantástico.


Este ano temos  problemas para Papai Noel, problemas como voltar para o mapa da fome, destruição do meio ambiente, aumento exponencial de População de Rua, desemprego, inflação, feminicidio, intolerância religiosa.... O bom velhinho vai ter muito pedido para que o presente seja a resolução desta terra arrasada que transformaram o país 


Já no dia 23 de dezembro, do ano da Graça do Senhor de 2021, o Ministro da Saúde, como o Centurião do Presidente (Incorporado de Herodes), decreta que crianças podem morrer de Covid-19, já que está fazendo todos os procedimentos para desinformar, retardar e negar a vacinação, já aprovada pela ANVISA.


Herodes(Incorporado no Capitão), como naquele filme  de Jimy Carrey - O Mentiroso - Nega as pesquisas de todos os institutos, inclusive, o que trabalha para a ABIN do caquético General Heleno.


Todas já foram feitas. Só dá Lula em primeiro turno e crescendo.


Há tantos textos de Natal imagináveis quanto há maneiras de se desejarmos felicidade ao próximo.


Agora, os  cards de whatsapp e redes sociais de felicitações e  de fim de ano desafiam a criatividade humana. Já que nos parece que tudo já foi produzido.


Nestes últimos anos de Golpe de 2016 para cá, com o processo de corrosão da nossa democracia, ascensão do pus Fascista, queda da qualidade de vida da classe trabalhadora e ataque a dignidade humana no país. Ter texto Natalino é para renovar a esperança, esta benção que ficou no fundo da caixa de Pandora.


Pensei em fazer um card em branco e deixar aos que o recebessem, para escreverem a mensagem que desejariam, mas, esposa desaconselhou-me, afinal, dada a indignação de tantos, impropérios poderiam circular, em arte assinada por mim.


Poesia? Seria uma Boa? Só se fosse um SLAM, mas, não caberia em card ou texto para o site, vídeo causaria aglomeração, mas, fica a inspiração para uma outra situação.


Um vídeo com mensagem natalina e de boas festas? Não dá para competir com RC e seu especial de Natal, além de tudo, minhas olheiras, fruto de pensar como fechar o meu Orçamento Familiar de 2022, daria um aspecto down. Melhor Escrever os bons sentimentos e esperançar!

Bom, cheguei até aqui para desejar a você os  desejos de todos os natais.…

Samuel Maia

sexta-feira, dezembro 17, 2021

A DESTRUIÇÃO AMBIENTAL EM CURSO NA BAIXADA FLUMINENSE

 O mês de dezembro de 2021 está marcado pela destruição produzida por um governo bolsonarista na Baixada Fluminense: a destruição de uma Unidade de Preservação Integral, a REBIO Equitativa em Duque de Caxias/RJ.




Grandes devastações nas florestas da Baixada Fluminense  são registradas atualmente. O atual diretor da APA do Iguaçu é um Fisioterapeuta, que ocupa o lugar de uma Engenheira Ambiental Concursada.

Vários crimes ambientais na região ocorrem para o lucro de marginais e foras da lei ligados a prefeitos, deputados e vereadores da região.

Mesmo em meio à pandemia do novo coronavírus — que já matou mais de 616  mil pessoas no país — continua o desmatamento na Rebio Tinguá, Apa do Alto Iguaçu, e na cidade de Duque de Caxias, onde o atual prefeito, Washinngton Reis, condenado por crimes ambientais, a 7 anos e 5 meses à prisão, desde 2016, segue estranhamente, livre, leve e solto. O STF inventa postergações para a execução de sua pena.

A destruição do meio ambiente não é obra do acaso, mas resultado direto do desmonte dos instrumentos de fiscalização e controle social, por parte de governos corruptos. Ações que esvaziam a capacidade de formulação e implementação de políticas públicas voltadas ao meio ambiente são aplicadas com método, enfraquecendo paulatinamente as estruturas de fiscalização e controle ambientais. A omissão e a corrupção no sistema judicial brasileiro encorajam os criminosos ambientais.

Diversos são os mecanismos dos governos inimigos da sociedade e do meio ambiente neste sentido, sendo o governo Bolsonaro o animador de governadores e prefeitos prevaricadores que faturam com seus sócios marginais ao explorar de maneira criminosa o Meio Ambiente .

O incentivo ao crime ambiental não ficou restrito à extinção ou transferência de órgãos de controle — resultando no enfraquecimento da fiscalização — mas contou com a colaboração   das Câmaras de Deputados e Vereadores que aprovam leis inconstitucionais e conflituosas contra o SISNAMA, visando legalizar a grilagem de terras, desmonte de florestas e exploração insustentável dos recursos hídricos.

Paralelo ao desmatamento empreendido na região da Baixada Fluminense, aparecem as barreiras de exploração de barro e areais em terras agricultáveis, com aumento aproximado de 20% no período de janeiro a dezembro deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. A prática ainda tem o agravante de piorar as qualidades do entorno que fica com cenário de território bombardeado.

O descontrole no desmatamento e o desmonte das políticas ambientais têm levantado preocupações e traz doenças e prejuízos a belezas naturais e a biomas importantes para as cidades e territórios.

Uma sociedade que se cala diante dos crimes ambientais está cumplice na destruição do planeta. É fundamental uma reação contundente dos atores sociais, comprometidos com a vida, a justiça social, as futuras gerações e saúde do planeta. É preciso agrupar-se e defender seus biomas, exigir Transparência e Controle Social nas tomadas de decisões sobre as políticas ambientais. A sociedade deve exigir do judiciário a celeridade no cumprimento da lei e da execução das penas, para afastar do convívio social os meliantes ambientais.

Fonte: https://www.portalb.com.br/a-destruicao-ambiental-em-curso-na-baixada-fluminense/ , 11/12/2021

MONTANDO GOVERNOS DE SUCESSO

 O sucesso de um governo começa já na sua formação, com a escolha de profissionais competentes para ocupar posições estratégicas que terão impacto direto nos resultados conquistados.




Esta definição, com certeza envolve muito trabalho e representa um desafio e tanto, mas também é o que diferencia governos de alto nível daqueles que não saem da mediocridade.

O que é preciso para montar uma equipe de governo realmente eficiente? E mais importante, como fazer para continuar qualificando a equipe de gestão?

Antes de começar a procurar por quadros ou pensar nas ocupações de vagas, é bom levar em conta alguns fatores importantes que ajudarão a definir a montagem da equipe.

Escolher a equipe de governo é uma tarefa fundamental, mas também revelará uma experiência gratificante se for levada com seriedade. Definir os passos e necessidades de cada área, fará o caminho do sucesso:

Qual é o tipo de pessoa ideal para a função por ela a fim de resolver os problemas que surgirão no dia a dia.

O planejamento estratégico é o princípio de tudo, criar um projeto de Cidade, Estado e País, será o desenho do que a equipe irá debruçar-se nos anos da gestão.

Criar, após a posse, um corpo técnico permanente, através de concursos públicos, com funcionalismo de carreira, para tocar os projetos, ter uma memória permanente do serviço público e cristalizar uma profissional gestão é um passo fundamental para termos entes federados qualificados e eficientes.

Certamente, na realidade em que vivemos atualmente de Brasil, Estado do Rio de Janeiro e cidades da Baixada Fluminense, o que propomos é algo a ser conquistado nas mentes e corações de quem disputa eleições e eleitores.

Uma forte cultura de clientelismo, onde, o fazer do agente público, fica sendo apresentado como favor, ou um feudo de serviço que o cidadão que paga os impostos, tem que “beijar a mão”, para receber um serviço da prefeitura, Estado ou governo federal, ficando no cabresto de vereador, prefeito, deputado ou outro mandatário. Este círculo do clientelismo tem que ser rompido urgentemente, para o bem das cidades.

Profissionalizar a gestão pública, passa pela consciência do cidadão que os serviços que recebe, Ele pagou, que os que estão na máquina pública devem ser funcionários de carreira, e nomeados devem ter formação para tal, faz mudar a qualidade do voto, e leva ao desenvolvimento.

É possível termos cidades, Estado e país com justiça social, Ela começa pela gestão, esta deve ser republicana, sem clientelismos e eficiente, mas, começa nas escolhas de quem são os mandatários.

Em 2022, temos a oportunidade de modificar a ineficiente administração do Estado do Rio de Janeiro e do Brasil. Ela será fundamental para mudar sua cidade em 2024.

Fonte: https://www.portalb.com.br/montando-governos-de-sucesso/ , 03/12/2021

HISTÓRIA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO RESGATADA

 No último dia 23 de novembro, a convite do Deputado Estadual Sérgio Fernandes (PDT), participei de Live Histórica, versando sobre a importância de incluir na grade curricular, obrigatoriamente, nas redes privadas e públicas do Estado do Rio de Janeiro, o Estudo da História Regional e Local do Rio de Janeiro.




Um povo precisa ter sua identidade e senso de pertencimento construído.

A partir do conhecimento de sua História,Geografia, Cultura e Ecossistemas.
A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro – ALERJ deve restabelecer a visibilidade Fluminense que tivemos.


Graças às diversas mudanças administrativas: de sede da colônia para sede do império, depois república e a fusão do Estado da Guanabara com Estado do Rio de Janeiro, foram geradas lacunas, desconhecimento dos cidadãos no aprendizado de sua História e do seu território, por parte dos fluminenses.


Em 21 de dezembro de 1501, dia de São Tomé, até então, os Europeus chegam ao Cabo de São Tomé (atual Farol de São Tomé em Campos dos Goytacazes), 10 dias antes de chegarem ao Rio de Janeiro. Foi em terras fluminenses que se deu o primeiro contato entre o povo nativo Goitacás e os europeus.  


A partir da perspectiva da História Regional é possível introduzir o aluno de modo ativo na sociedade a que de fato pertence, levando-o a entender o quanto de sua vida é construída e o quanto de elementos externos ele tem dentro de si.

É neste campo mais restrito que as relações sociais aparecem com maior nitidez – e no qual podemos distinguir com mais clareza a construção das identidades sociais e dos sentimentos de pertencimento. Ao mesmo tempo, é a partir desta chave que se pode resgatar experiências coletivas e particulares ligadas a um determinado espaço geográfico, seja o regional ou o local.

Quem foram os índios Jacutingas? E os Sambaquis de Saquarema? E quem foram os Suíços que vieram morar no final do século XIX e início do sécul XX em Cachoeira de Macacu? E quem eram os Finlandeses de Penedo, no Sul Fluminense? E os negros do vale do café? E os bandeirantes no noroeste do Estado? E qual foi o único índio que fundou cidade no Brasil? O trem ligava quais as regiões do Estado? Livros, Movimentos Culturais, Culinária, Artes, Filosofia e Biomas espalhados pelo Estado, quais são eles? E os personagens locais e regionais de relevância nacional? E os movimentos sociais?

Certamente, o povo fluminense, necessita urgentemente fazer o percurso destes saberes. Afinal, mesmo seus problemas atuais são frutos de ações equivocadas no passado, sendo que a mudança para uma sociedade melhor passa pelo conhecimento histórico.

No próximo dia 21 de dezembro de 2021, faremos 520 anos da chegada dos europeus nas terras do Estado do Rio de Janeiro. Iremos comemorar mais felizes se o projeto da instituição da obrigatoriedade do ensino da História Regional e Local estiver já em tramitação na ALERJ, com tranquilidade para sua aprovação.

Fonte: https://www.portalb.com.br/historia-do-estado-do-rio-de-janeiro-resgatada/ , 25/11/2021

CIDADÃOS DA BAIXADA FLUMINENSE, COMO SUPERAR O PROVINCIALISMO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO?

 O ano de 1986 foi um divisor de águas para o Estado do Rio de Janeiro: é o desdobramento da decadência iniciada com a fusão de 1975; uma fusão a fórceps feita pela ditadura empresarial-civil-militar, que uniu o antigo Distrito Federal ao Estado do Rio de Janeiro, Estado de características rurais e oligárquicas.




No ano de 1986, com a derrota de Leonel de Moura Brizola, através de seu candidato, o antropólogo Darcy Ribeiro, consolidou-se o ‘Chaguismo’ no Estado, através da vitória de Moreira Franco (PMDB), o famoso “Gato Angorá”, apelido dado por Brizola ao PMDBista por seu notório saber em subtrair dinheiro público para si e seu grupo político.

Desde então, ao derrotar o Brizolismo, o Estado do Rio de Janeiro, descambou para a tragédia que tornou-se, onde não se debate projeto de Estado e sociedade, , tornando-se um prisioneiro de pautas de costumes e fiscalização da genitália alheia, tão bem feita por narcoevangélicos, narcomilicianos e os chaguistas do MDB.

Naquela eleição, o candidato do PT, migrado na última hora do PV, foi instrumentalizado pelo Chaguismo, para amedrontar a sociedade do Estado com as Fake News, dizendo que se Gabeira fosse eleito iria liberar a maconha, o homossexualismo iria ser pregado nas Escolas…. Ou seja, a mesma pauta que tomou corpo a partir de 2013 nas manifestações de essência ultradireitista.

A candidatura de Gabeira, tirou votos de Darcy Ribeiro, principalmente na Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro, e, como não tínhamos dois turnos, possibilitou a vitória de Moreira Franco.

Moreira Franco em sua campanha dizia que acabaria com a violência em 6 meses, resolveria o problema da educação em 6 meses, todos teriam saúde de qualidade em 6 meses…. Ou seja, tudo seria resolvido em seis meses, porém, o que Ele fez foi destruir todos os programas sociais que Brizola tinha implantado, inclusive os Centros Integrados de Educação Pública (CIEP), uma revolução que em átimo de anos o Estado conheceu.

Naquela eleiçao o então candidato Fernando Gabeira fez uma declaração infeliz sobre a vereadora Lucinha, que, segundo ele, teria uma “visão suburbana” a respeito da instalação de um lixão na Zona Oeste da cidade. A infelicidade da declaração consiste em ter ela propiciado um aproveitamento político por parte do adversário, que por seu intermédio transformou Gabeira em “candidato da elite”, preconceituoso, “contra o subúrbio” etc.

Mas, bem compreendida, a declaração de Gabeira não carregava qualquer preconceito. Ele empregou a expressão “visão suburbana” no sentido de “visão provinciana”, isto é, uma visão limitada, demasiadamente local e contingencial de um problema. Nesse sentido, não se tratava de um preconceito contra determinada origem sócio geográfica, mas sim de um juízo político contra uma vista obliqua. Teria sido melhor, portanto, empregar a palavra “provinciana”, que já traz imediatamente em seu sentido corriqueiro esse deslocamento do geográfico para o existencial: ser provinciano não é um problema de origem, é uma forma de ver o mundo. Que forma?

Darcy Ribeiro também fez, em debate na TV Bandeirantes, uma declaração que foi utilizada por Moreira Franco para derrotá-lo; foi quando Darcy mostrou a sua formação acadêmica e títulos que tinha, chamando Moreira Franco de um mero genro de Amaral Peixoto e Prefeitinho de Niterói sem nada substancial… Isto mexeu no provincialismo dos niteroienses, que por ter Niterói sido ex-capital do antigo Estado do Rio de Janeiro, viram seu orgulho ferido pelo candidato Brizolista.

Danuza Leão, certa vez concedeu uma entrevista à Folha de São Paulo, por ocasião do lançamento de seu livro ’Fazendo as Malas’, uma espécie de relato de viagens contendo reflexões sobre temas como moda, elegância, consumo, dinheiro etc. A certa altura da entrevista, ela comenta, em tom de superioridade, que em qualquer lugar do mundo pede-se um copo de vinho ou champanha – “un verre de vin”, “a glass of wine”. “Só no Brasil existe o hábito de pedir uma taça de vinho, ou uma tacinha, pior ainda”. É curioso que um livro que se pretenda tão cosmopolita contenha uma visão tão provinciana.

Acredito em aprendizado, descoberta, encantamento, entrelaçamento de culturas, perspectivas de desenvolvimento e projetos arejados.

A Baixada Fluminense, naquela eleição de 1986, teve eleito como vice-governador Francisco Amaral de Nova Iguaçu, o que para a região nada representou de melhorias.

Apesar de estarmos ao lado da cidade maravilhosa, nestes últimos 35 anos nenhuma estação de metrô foi inaugurada na região e a Maria Fumaça, mesmo com a privatização da ferrovia, se ouve seu apito em terras do recôncavo da Guanabara. Política Habitacional e formação de uma classe média nem pensar, equipamentos culturais precários, ou seja, vivemos ainda no Estado de Abandono.

Porém, apesar de deputados estaduais e federais da região serem eleitos, não há um movimento no sentido de integrar a região metropolitana em uma urbe moderna.

O menosprezo ao “centro” pela sua condição de centralidade. É uma espécie de provincianismo esclarecido. Creio que isso não chega a formar critérios éticos – políticos, estéticos, poéticos – que possamos afirmar como dignos de orientar nossas ações no mundo.

Criarmos uma visão cosmopolita e moderna nos cidadãos das cidades da Baixada Fluminense, uma classe média progressista e antenada com as evoluções Técnicos e Científicas, deve ser um caminho a ser pavimentado para deixarmos de ser província, ou colônia da metrópole.

Paz e Bem

Fonte: https://www.portalb.com.br/cidadaos-da-baixada-fluminense-como-superar-o-provincialismo-do-estado-do-rio-de-janeiro/  , 19/11/2021

ORÇAMENTO SECRETO: MAIOR ESCÂNDALO DA REPÚBLICA

 Na última semana, o Brasil descobriu a mega maracutaia, organizada por Bolsonaro, operada pelo deputado federal, presidente da Câmara Arthur Lira (PP de Alagoas) e o operador financeiro dos recursos, Hugo Leal (PSD/RJ).




No Estado do Rio de Janeiro, 62 municípios tiveram seus cofres recebendo de forma nebulosa, a emenda do orçamento secreto, e confirmando o nosso texto publicado na semana passada, o elo financeiro forte dos bolsonaristas, passa por Washington Reis MDB, atualmente Prefeito de Duque de Caxias/RJ: o município recebeu 59 milhões, valor muito maior que a capital do Estado, a cidade do Rio de Janeiro, com população 7 vezes maior.

Comparado a qualquer outra engenharia do mal, elaborada na política, este é o maior escândalo da república. As verbas distribuídas secretamente, sem poderem ser nominadas quem foi o autor da emenda na Câmara, destinação e recursos, serve como uma azeitada tática de compra de votos para apoio a Bolsonaro, onde os deputados comprados, no mercadão bolsonarista, em acordo com prefeitos, mesmo longe dos seus redutos eleitorais, já faz caixa 2 para a campanha de 2022.

A administração pública tem sido alvo de controvérsias a respeito da transparência de seus atos.

Em países democráticos, a transparência superficial – não tanto pela dotação de recursos, mas pela sua aplicabilidade – se transforma em fator altamente questionável pela sociedade, o que, em muitos casos, tornam ocultas as informações da gestão pública, comprometendo a credibilidade sobre a assertiva desses atos.

A cobrança da sociedade por visibilidade está vinculada à necessidade de abrir acesso ao conteúdo informacional dos atos e gastos efetivados pelo governo. O conhecimento pleno daqueles atos, por si só, não atende às expectativas do cidadão, que, também, exige qualidade informacional, em espaço temporal.

Uma sociedade participativa consciente da atuação dos seus representados desempenha, de forma mais satisfatória, o exercício da democracia quando tem o livre arbítrio de opinar e fiscalizar os gastos públicos.

Fraudes e atos de corrupção encontram oportunidades propícias para propagação em ambientes nos quais a gestão pública pode escamotear informações por julgá-las impróprias para o acesso generalizado. No Brasil, a Lei de Acesso à Informação, nº 12.527, de 18 de novembro de 2011, busca tornar menos obscuro o conhecimento da informação por parte dos cidadãos, no que se refere à forma como os nossos recursos públicos são administrados.

O acompanhamento dos recursos financeiros da gestão pública permite à sociedade civil exercer um papel fundamental na identificação de fraudes; suas ocorrências impedem o crescimento do país, solapando a legitimidade da gestão pública, fato que pode ocasionar uma redução do bem estar coletivo, em prol de interesses individuais, ocasionando a queda de sua imagem.

Por isso, a descoberta do Orçamento Secreto, praticado por Bolsonaro e operado pelo presidente da Câmara Arthur Lira, já pode ser considerado o maior escândalo da república.

Há a lei da transparência e controle social que nós cidadãos que participamos das Conferências sobre Transparência e Controle Social, realizadas a partir de municípios, com delegados eleitos para as etapas Estadual e Nacional, em exercício democrático que levou milhões de brasileiros a formatar a lei.

Ao praticar o orçamento secreto do relator, com denúncias que prefeitos já estavam sendo vistos em Brasília, levando malas de dinheiro para deputados que faziam emendas para municípios muito longe de suas bases eleitorais, mostra que a decisão da relatora de ação no STF, Ministra Rosa Weeber, embargando a execução destas emendas e solicitando prestação de contas do dinheiro já empenhado e pago, consolida a farsa moral que é o atual presidente da república.

Nos municípios da Baixada Fluminense, com a conveniência do judiciário, várias prefeituras não mantêm como manda a lei, publicação diária de seus atos administrativos e orçamentários. Isto também é uma das pontas que explica o atraso da região e enriquecimento de prefeitos e políticos de mandato da direita.

Cabe a você, a mim e aos demais, começarmos usar os instrumentos de fiscalização dos orçamentos e exigirmos o Orçamento Participativo, instrumento de democracia direta e radical.

Paz e Bem!

Fonte: https://www.portalb.com.br/orcamento-secreto-maior-escandalo-da-republica/ , 12/11/2021

WASHINGTON REIS ATÉ QUANDO? ATÉ QUANDO A NECROPOLÍTICA NA BAIXADA FLUMINENSE?

 QUANDO A NECROPOLÍTICA NA BAIXADA FLUMINESE?




A escolha do personagem deste texto, foi nos critérios: Importância Geopolítica do Município, Produto Interno Bruto (PIB) da cidade, Força Eleitoral Local, Regional e Nacional, somada a marca de cidade com maior volume de notícias ligadas à destruição do tecido social, da urbanidade e dos marcos civilizatórios, ou seja, a necropolítica em sua expressão mais cruel.

Assim, ao fazer o Raio X, preliminar, o autor busca provocar nos setores liberais, socialistas e progressistas, uma reflexão sobre a importância de darmos um salto para uma evolução estrutural e infraestrutural das cidades brasileiras.

A Baixada Fluminense tem sido palco de horrorosas administrações públicas, frutos de uma construção histórica baseada na exploração da mão-de-obra, exploração da fé, violência e clientelismo.

Com 4,5 milhões de habitantes e 2 milhões de eleitores, se há um lugar no Brasil que não tem como demonizar progressistas e políticos de esquerda, esta é a região, pois, sempre foi dirigida por oligarquias da direita.

O personagem que dá título a este artigo, podemos considerar o protótipo bem acabado do exemplo desta oligarquia da direita fluminense.

Começou como vereador na região de Xerém, onde pelo menos 65% são pessoas frequentadoras de Igrejas neopentecostais, talvez o lugar com o maior número de Igrejas por metro quadrado, o que não impede o território de todos os tipos de violência.

Washington Reis fez sua trajetória com frases do tipo “Gosto mais de sua mãe que da minha!” ou “É melhor puxar-saco que puxar carroça!”.

Nesta tática, colou primeiro com Zito, ex-prefeito de Duque de Caxias/RJ, hoje seu arqui-inimigo, sendo depois deputado estadual e vice-prefeito do “Rei da Baixada”, depois do rompimento colou com Jorge Picciani, o Capo do Grupo, operado por Sérgio Cabral, hoje presidiário, como o foi Picciani.

Ao galgar no grupo, postos de confiança, conseguiu o financiamento necessário, para se tornar Prefeito de Duque de Caxias.

Com a vitória para seu primeiro mandato, teve Sérgio Cabral e Lula, jogando ambos, dinheiro e obras na cidade.

Contudo, não contava, na tentativa de reeleição, com o recall positivo de Zito que ao vencê-lo, trouxe o ódio do grupo de Sérgio Cabral e associados ao MDB que o desconstruiu no Golpe do Lixo de 2012, o que possibilitou a eleição de Alexandre Cardoso, também aliado de Sérgio Cabral, tendo Washington Reis, ficado em segundo na disputa de 2012, e derrotando, com o plano B do grupo Cabral (Alexandre Cardoso) no Golpe do Lixo, o outrora “Rei da Baixada”.

O governo de Alexandre Cardoso, hoje, aliado de Washington Reis, foi um desastre, tendo ele nem disputado a reeleição, fazendo Washington Reis voltar à Prefeitura para um segundo mandato, quando ocupava o cargo de 2° Vice-Presidente Nacional do MDB. Washington, naquele mesmo ano de 2016, como deputado federal, foi o primeiro a votar no Golpe na Presidente Dilma Roussef, porque ganhara de Cunha a poderosa Comissão de Transportes da Câmara, área que já atuava, desde os tempos de Picciani, na ALERJ, como Presidente da Comissão da FETRANSPOR, poderoso cartel do oligopólio de transportes que atua no Estado do Rio de Janeiro.

Em sua trajetória, com uma Prefeitura Bilionária, renda per capta de 540 reais, baixa participação cidadã, nenhuma imprensa local com permanente influência, muito ópio religioso e cultura da violência, usa a estrutura desta cidade para formar alianças que vão de Renan Calheiros, Temer, Bolsonaro a Lula.

O resultado é o caos nos serviços públicos, folhas de Boletim de Ocorrência e Ações dos Ministérios Públicos Estadual e Federal, bem como da Defensoria Pública.

Sentenças julgadas e transitadas até mesmo no STF, estão há 6 anos engavetadas, algo que nenhum outro político do Brasil graça este privilegio na mais alta corte.

Enfim, a cidade de Duque de Caxias/RJ, com um PIB de Inglaterra e condições do país africano Gana, vive o INGANA, arrecadação de Inglaterra e vida de país africano paupérrimo.

A formalização da necropolítica, legitimada pelas instituições que deveriam parar seu agente principal, o atual prefeito, pelos atos inventados de postergação de sentenças transitados e julgados, beirando a desmoralização das instituições, gera um vale-tudo na disputa, manutenção do poder; uma corrupção endêmica, assassinatos políticos e perseguição de adversários da oposição.

Além destas mazelas, o nepotismo, o patrimonialismo, a eleição de familiares para mandatos legislativos, demonstra cabalmente o atraso em uma cidade que pela sua proximidade com a capital, a cidade do Rio de Janeiro, deveria ter uma estrutura de primeiro mundo, mas, decadente, se aproxima a um Haiti.

Assim, personagens como o deste artigo, ficam navegando nestas águas poluídas entre o Rio Merití até a APA de Petrópolis.

Enquanto o arranjo político deste mosaico de interesses escusos permanecer nas instituições, representações destas, sem o eleitor despertar, e colocar pessoas com espírito republicano, visão vanguardista, olhar cosmopolita e não provinciana, nada mudará nas cidades da Baixada Fluminense, nem nas demais províncias espalhadas pelo Brasil.

Fonte: https://www.portalb.com.br/washington-reis-ate-quando-ate-quando-a-necropolitica-na-baixada-fluminense/   , 05/11/2021

domingo, novembro 14, 2021

O 1964 em Areal: um resgate histórico que vai do medo à interação dos moradores com as tropas militares no RJ

 


Em frente à Igreja de Areal, canhões e soldados marcaram presença no dia 1º de abril de 1964 — Foto: Secretaria de Educação e Cultura de Areal / Divulgação

Em frente à Igreja de Areal, canhões e soldados marcaram presença no dia 1º de abril de 1964 — Foto: Secretaria de Educação e Cultura de Areal / Divulgação

Cinquenta e cinco anos se passaram desde o 31 de março de 1964, quando moradores de Areal, no interior do Rio, foram surpreendidos ao verem se materializar, bem diante de seus olhos, um cenário que parecia de um filme de guerra na pequena e pacata cidade, ainda pertencente a Três Rios, que apenas ouvia falar de uma "tal revolução".

O movimento de chegada de tropas de Minas Gerais e Rio de Janeiro começou na noite do dia 31 e madrugada do dia 1º de abril daquele mesmo ano trazendo um amanhecer tenso em meio a centenas de soldados armados, carros militares e canhões de guerra que já ocupavam a região.

Os moradores não entenderam bem o que estava acontecendo mas acreditavam se tratar do encontro entre essas tropas. O historiador Glauber Montes afirma que só uma pesquisa mais detalhada pode dizer se realmente ocorreu esse encontro. O que se sabe é que as tropas, de fato, passaram pela cidade.

Para contar essa história, o G1 buscou registros na antiga imprensa, livros e foi atrás de jovens e crianças que aparecem nas fotografias da época. São elas que trazem a partir de agora relatos do que viveram naquele dia, com a esperança de que esse fato histórico não caia no esquecimento. Apesar da tensão, não houve conflito mas, sim, muita interação com os militares, como mostram as imagens.

Ricardo Rêgo tinha 7 anos...

“Nos morros a gente só via capacetes e as pontas das armas”.

O morador Ricardo Rêgo tinha apenas 7 anos em 1964, mas se lembra bem do dia atípico que viveu, quando as tropas militares do Rio e de Petrópolis, na Região Serrana, marcharam em defesa do então Presidente da República, João Goulart, o Jango, no poder. Ricardo aparece em uma das fotografias com outros colegas. Ele está sentado em um canhão.

Na foto, Ricardo Rêgo aparece sentado em um dos carros militares no dia 1º de abril de 1964, em Areal  — Foto: Secretaria de Educação e Cultura de Areal / Divulgação

Na foto, Ricardo Rêgo aparece sentado em um dos carros militares no dia 1º de abril de 1964, em Areal — Foto: Secretaria de Educação e Cultura de Areal / Divulgação

O morador conta que, antes da fotografia, estava no colégio quando um tenente e dois soldados entraram na sala pedindo para todo mundo se retirar e ir para casa porque estava havendo uma "revolução".

"Foi quando vi que as ruas estavam cheias de soldados correndo para todos os cantos. Mas depois que a situação foi apaziguada, todos os moradores que até então estavam apreensivos foram para as ruas. Interagimos com os soldados, que foram muito simpáticos com todos", relata.

Angela Campos chegou a fugir...

Com 62 anos, Angela Campos é mulher de Ricardo, que aparece na foto com o canhão. Ela afirma que o temor era muito grande, pois o medo era que o suposto encontro das tropas poderia resultar em uma guerra.

"A gente ia para a escola e, de repente, tivemos que sair correndo. Meu pai colocou minha mãe e os seis filhos em um carro e fomos para uma fazenda em São José do Vale do Rio Preto, para fugir daquela confusão", disse.

Segundo Angela, ninguém sabia ao certo o que estava acontecendo.

"Só víamos aquelas armas, muitos soldados, diziam que ia ter guerra e que Areal ia acabar".

Militares ocuparam as ruas de Areal, RJ, no dia 1º de abril de 1964 — Foto: Secretaria de Educação e Cultura de Areal / Divulgação

Militares ocuparam as ruas de Areal, RJ, no dia 1º de abril de 1964 — Foto: Secretaria de Educação e Cultura de Areal / Divulgação

Zélia Luiza tinha 23 anos...

Zélia Luiza Moraes Garcia, hoje, aos 77 anos, lembra que todo o comércio fechou e que havia um temor de que houvesse um tiroteio onde, atualmente, é o Centro da cidade.

"Eu moro em frente à Igreja e foi um alvoroço. Muitos caminhões e canhões. Meus vizinhos todos saíram de casa porque diziam que ia ter uma revolução. Ficamos apreensivos, não dá para calcular o que passamos naquele dia", disse Zélia.

Medo de faltar energia...

O morador Claudio Abaurre contou que, com medo de que uma falta de luz atingisse a cidade, sua mãe comprou cerca de 30 caixas de velas.

"Eu as tinha em casa até dois anos atrás", disse.

Uma moradora, que preferiu não se identificar, relatou ao G1 que, embora não tivesse detalhes da importância política que aquela movimentação envolvia, desde a chegada dos primeiros soldados já sabia que aquele era um fato "que ia ficar para a história".

Contexto político

Segundo o historiador Glauber Montes, havia uma instabilidade política desde 1961, onde uma parcela da cúpula militar, alinhada a interesses empresariais e políticos, era contra o governo de Jango e já vinha sendo "ensaiada" a retirada dele do poder.

"Goulart era visto como um cara de esquerda, tanto que os militares tentam impedir a posse dele em 1961, após a renúncia do Jânio Quadros, e só não conseguiram porque houve uma resistência popular", disse.

De acordo com Glauber, outros conspiradores planejavam o "golpe" contra o governo para a primeira metade de abril, mas o general Olímpio Mourão Filho resolveu antecipar a tomada da Presidência da República, colocando suas tropas nas ruas, saindo de Minas Gerais em direção ao Rio, onde João Goulart estava.

Sabendo da presença das tropas de Minas nas ruas, Glauber explica que os comandantes que eram a favor do presidente e da "legalidade", no sentido de fazer cumprir a lei, enviaram seus homens para impedir que os militares avançassem para o território fluminense e, por este motivo, chegaram até Areal, onde ocorreu o encontro que marcou a história da pequena cidade de 12.471 habitantes, segundo estimativa do IBGE divulgada em 2018.

Em seu livro "A ditadura envergonhada", o autor Elio Gaspari cita o que foi considerado o estopim para a decisão do comandante Mourão Filho.

"A revolta dos marinheiros na semana anterior, e o discurso de Jango no Automóvel Clube, na véspera, desestabilizaram as Forças Armadas. A organização militar, baseada em princípios simples, claros e antigos, estava em processo de dissolução. Haviam sido abaladas a disciplina e a hierarquia", diz o trecho.

Sem confronto

Apesar da grande presença de militares armados e caminhões, não houve confronto em Areal — Foto: Secretaria de Educação e Cultura de Areal / Divulgação

Apesar da grande presença de militares armados e caminhões, não houve confronto em Areal — Foto: Secretaria de Educação e Cultura de Areal / Divulgação

Apesar do medo instalado na região, não houve confronto naquele dia e ninguém saiu ferido. Segundo Glauber, parte das tropas enviadas para impedir a passagem dos militares de Minas Gerais acabou aderindo ao movimento contra João Goulart por "falta de uma ação enérgica do próprio presidente".

"Alguns oficiais vão cumprindo seu papel para defender o mandato do presidente, mas ele mesmo não teve uma postura firme. No dia 1º, ele saiu do Rio e foi para Brasília. A tropa se sentiu sem liderança e, na minha visão, também aderiu ao movimento de Minas por isso", disse o historiador.

Glauber acrescenta que alguns autores citam nos livros que Jango poderia ter "bombardeado as tropas do Mourão, mas o presidente mesmo disse que quis evitar o derramamento de sangue, tentando arrumar soluções, mas foi perdendo as forças".

A afirmação é confirmada no livro de Gaspari em um trecho que cita, de um lado o comandante Cunha Mello - que comandava parte das tropas a favor de Jango, e de outro o Muricy, que liderava uma das tropas contra o então presidente.

"Em Areal, sem a tropa do 1º RI [Regimento de Infantaria], Cunha Mello percebeu que defendia uma legalidade sem retaguarda. Muricy mandara-lhe um recado informando que 'como cavalheiro' não daria o primeiro tiro sem avisá-lo", diz.

Em outro trecho, o autor diz que: "Ninguém sabia o que poderia acontecer quando Cunha Mello e Muricy se encontrassem. A situação militar de Muricy era precária. Àquela altura, porém, nem ele nem seus colegas jogavam uma partida militar. Jogavam cartadas políticas".

O movimento contra o presidente aconteceu, simultaneamente, em outros Estados e, segundo Gaspari, embora não tenha acontecido nenhum confronto em Areal, houve mortes em outros locais.

"No Recife dois estudantes foram mortos quando uma passeata marchou para o palácio do Campo das Princesas e se encontrou com as tropas que o cercavam. [...] No Rio de Janeiro militares atiraram contra manifestantes que se haviam reunido em frente ao Clube Militar, na Cinelândia", diz um trecho do capítulo "O Exército acordou revolucionário".

Gaspari continua dizendo: "Ainda assim, na contabilidade das quarteladas latino-americanas, a deposição do presidente João Goulart foi praticamente incruenta. Custou sete vidas, todas civis, nenhuma em combate".

E a preservação da memória?

Moradores temem que a presença dos militares em Areal no dia 1º de abril de 1964 seja esquecida — Foto: Secretaria de Educação e Cultura de Areal / Divulgação

Moradores temem que a presença dos militares em Areal no dia 1º de abril de 1964 seja esquecida — Foto: Secretaria de Educação e Cultura de Areal / Divulgação

Moradores de Areal acreditam na importância de preservar a memória daquela data, uma vez que a cidade fez parte daquele momento político do país.

"Da mesma forma que me marcou deve ter marcado outras pessoas", disse Angela Campos, afirmando que faz sua parte para garantir a memória dos acontecimentos da cidade anotando tudo em um caderno.

Filho de Zélia, Valber Moraes, de 44 anos, contou que está montando um projeto para que a cidade seja reconhecida e para que essa história seja mais divulgada.

Areal tem, segundo estimativa do IBGE em 2018, 12.471 habitantes. A Prefeitura disse que a cidade conta, atualmente, com 15 unidades de ensino, que atendem a 2 mil alunos. O G1 perguntou se há a difusão dessa parte da história na escola. Em resposta, o secretário de Educação e Cultura do município, José Roberto Zimbrão Ribeiro, afirmou que fará uma reunião nesta semana com os professores de história da cidade.

"Para que eles se aprofundem mais no tema e abordem esta passagem histórica citando a participação do município de Areal", disse ao G1.

Regime militar

Foi no dia 2 de abril que o Congresso Nacional declarou como vago o cargo da presidência da República e deu posse ao presidente da Câmara, Ranieri Mazzilli.

Ouça o áudio e leia trechos da sessão do Congresso que depôs Jango. Deputados que estavam na sessão também relataram os bastidores ao G1.

Tal fato culminou no início do regime militar, que governou o Brasil durante os 21 anos seguintes (1964-1985). Na época, Goulart saiu de Brasília para o Rio Grande do Sul e de lá para o Uruguai.

Para o historiador Glauber Montes é importante conhecer o sentido econômico, social e político daquela época.

"O Golpe de 1964 derrubou ilegalmente um presidente eleito e popular, e a ditadura, por meio do uso sistemático da censura, intimidação, cassações, torturas e assassinatos, abortou a participação política autônoma dos trabalhadores, enquanto reduziu o poder de compra dos salários pela metade em 21 anos, aprofundou a desigualdade social e entregou o país com 240% de inflação em 1985", concluiu.


Fonte: Por Aline Rickly e Ariane Marques, G1 

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