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sábado, janeiro 04, 2020

O Ataque ao Irá, pelo império norte-americano, será o cumprimento de Mateus 24 ?

Mateus 24

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1 Ao sair do templo, os discípulos aproximaram-se de Jesus e fizeram-no apreciar as construções.
2 Jesus, porém, respondeu-lhes: Vedes todos estes edifícios? Em verdade vos declaro: não ficará aqui pedra sobre pedra; tudo será destruído.
3 Indo ele assentar-se no monte das Oliveiras, achegaram-se os discípulos e, estando a sós com ele, perguntaram-lhe: Quando acontecerá isto? E qual será o sinal de tua volta e do fim do mundo?
4 Respondeu-lhes Jesus: Cuidai que ninguém vos seduza.
5 Muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu o Cristo. E seduzirão a muitos.
6 Ouvireis falar de guerras e de rumores de guerra. Atenção: que isso não vos perturbe, porque é preciso que isso aconteça. Mas ainda não será o fim.
7 Levantar-se-á nação contra nação, reino contra reino, e haverá fome, peste e grandes desgraças em diversos lugares.
8 Tudo isto será apenas o início das dores.
9 Então sereis entregues aos tormentos, matar-vos-ão e sereis por minha causa objeto de ódio para todas as nações.
10 Muitos sucumbirão, trair-se-ão mutuamente e mutuamente se odiarão.
11 Levantar-se-ão muitos falsos profetas e seduzirão a muitos.
12 E, ante o progresso crescente da iniqüidade, a caridade de muitos esfriará.
13 Entretanto, aquele que perseverar até o fim será salvo.
14 Este Evangelho do Reino será pregado pelo mundo inteiro para servir de testemunho a todas as nações, e então chegará o fim.
15 Quando virdes estabelecida no lugar santo a abominação da desolação que foi predita pelo profeta Daniel {9,27} - o leitor entenda bem -
16 então os habitantes da Judéia fujam para as montanhas.
17 Aquele que está no terraço da casa não desça para tomar o que está em sua casa.
18 E aquele que está no campo não volte para buscar suas vestimentas.
19 Ai das mulheres que estiverem grávidas ou amamentarem naqueles dias!
20 Rogai para que vossa fuga não seja no inverno, nem em dia de sábado;
21 porque então a tribulação será tão grande como nunca foi vista, desde o começo do mundo até o presente, nem jamais será.
22 Se aqueles dias não fossem abreviados, criatura alguma escaparia; mas por causa dos escolhidos, aqueles dias serão abreviados.
23 Então se alguém vos disser: Eis, aqui está o Cristo! Ou: Ei-lo acolá!, não creiais.
24 Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas, que farão milagres a ponto de seduzir, se isto fosse possível, até mesmo os escolhidos.
25 Eis que estais prevenidos.
26 Se, pois, vos disserem: Vinde, ele está no deserto, não saiais. Ou: Lá está ele em casa, não o creiais.
27 Porque, como o relâmpago parte do oriente e ilumina até o ocidente, assim será a volta do Filho do Homem.
28 Onde houver um cadáver, aí se ajuntarão os abutres.
29 Logo após estes dias de tribulação, o sol escurecerá, a lua não terá claridade, cairão do céu as estrelas e as potências dos céus serão abaladas.
30 Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem. Todas as tribos da terra baterão no peito e verão o Filho do Homem vir sobre as nuvens do céu cercado de glória e de majestade.
31 Ele enviará seus anjos com estridentes trombetas, e juntarão seus escolhidos dos quatro ventos, duma extremidade do céu à outra.
32 Compreendei isto pela comparação da figueira: quando seus ramos estão tenros e crescem as folhas, pressentis que o verão está próximo.
33 Do mesmo modo, quando virdes tudo isto, sabei que o Filho do Homem está próximo, à porta.
34 Em verdade vos declaro: não passará esta geração antes que tudo isto aconteça.
35 O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão.
36 Quanto àquele dia e àquela hora, ninguém o sabe, nem mesmo os anjos do céu, mas somente o Pai.
37 Assim como foi nos tempos de Noé, assim acontecerá na vinda do Filho do Homem.
38 Nos dias que precederam o dilúvio, comiam, bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca.
39 E os homens de nada sabiam, até o momento em que veio o dilúvio e os levou a todos. Assim será também na volta do Filho do Homem.
40 Dois homens estarão no campo: um será tomado, o outro será deixado.
41 Duas mulheres estarão moendo no mesmo moinho: uma será tomada a outra será deixada.
42 Vigiai, pois, porque não sabeis a hora em que virá o Senhor.
43 Sabei que se o pai de família soubesse em que hora da noite viria o ladrão, vigiaria e não deixaria arrombar a sua casa.
44 Por isso, estai também vós preparados porque o Filho do Homem virá numa hora em que menos pensardes.
45 Quem é, pois, o servo fiel e prudente que o Senhor constituiu sobre os de sua família, para dar-lhes o alimento no momento oportuno?
46 Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, na sua volta, encontrar procedendo assim!
47 Em verdade vos digo: ele o estabelecerá sobre todos os seus bens.
48 Mas, se é um mau servo que imagina consigo:
49 - Meu senhor tarda a vir, e se põe a bater em seus companheiros e a comer e a beber com os ébrios,
50 o senhor desse servo virá no dia em que ele não o espera e na hora em que ele não sabe,
51 e o despedirá e o mandará ao destino dos hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes.

sexta-feira, janeiro 03, 2020

A raiz do ódio aos pobres

CLASSE MEDIA IRA FICAR NA MISÉRIA

OCDE adverte para o declínio da “comprimida” classe média

Relatório afirma que esse grupo social está minguando devido ao estancamento de seu nível de vida, enquanto o das camadas mais altas melhora


 

O secretário-geral da OCDE, o mexicano Ángel Gurría. MAURIZIO BRAMBATTIEFE


A classe média dos 36 países mais desenvolvidos do mundo se enfraqueceu. “Está comprimida”, conclui a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). O clube dos países mais prósperos do planeta apresentou nesta quarta-feira na ONU um estudo para alertar que esse grupo social está minguando devido ao estancamento ou declínio do seu nível de vida, enquanto o das rendas mais altas melhora.

Não há economista que não defenda que um país é mais próspero na medida em que tiver uma classe média mais próspera e estável. Mas como definir esse coletivo? No relatório Sob Pressão: A Classe Média Comprimida, divulgado nesta quarta-feira, a OCDE recorda que para muitas gerações ser de classe média significava viver numa casa cômoda, com um estilo de vida gratificante e um trabalho estável, com oportunidades de carreira. “Era uma base a partir da qual as famílias aspiravam a um futuro melhor para seus filhos”, salienta o estudo. Mas essa classe social cada vez tem mais dificuldades, segundo a OCDE. A recente crise financeira se encarregou de lhe dar uma boa dentada e turvar seu futuro. “A influência desse coletivo também caiu de forma drástica”, aponta o organismo.

A instituição formada pelos países mais desenvolvidos do mundo usa uma definição mais empírica para delimitar o que é a classe média: aqueles cuja renda está entre 75% e 200% da renda média nacional. O organismo sediado em Paris adverte que há cada vez menos cidadãos nessa faixa e pede aos Governos que façam mais esforços para apoiá-los. Afirma que este grupo acumula dificuldades para manter seu peso econômico e seu estilo de vida devido ao fato de que a estagnação de seus salários não lhes permite acompanhar o aumento dos custos de habitação, educação e outras despesas, segundo a OCDE.
Em três décadas, a proporção de famílias consideradas neste grupo social se reduziu de 64% para 61%, de acordo com o estudo. De meados dos anos oitenta até meados desta década, sua influência como “centro gravitacional” da economia também enfraqueceu. Se em 1980 a renda conjunta deste setor era quatro vezes maior do que a dos mais ricos, atualmente representa menos de três vezes.

“A OCDE constata que nas últimas décadas a classe média viu seu nível de vida estancar ou diminuir, enquanto os grupos de rendas mais altas continuam concentrando riqueza”, diz Gabriela Ramos, diretora da OCDE, no preâmbulo do relatório, no qual lembra que as análises atuais revelam que 10% das rendas mais altas acumulam quase metade da riqueza, enquanto que 40% das rendas mais baixas detêm apenas 3%.

O documento explicita os crescentes problemas de desigualdade no mundo. E argumenta com dados como o grupo que integra a classe média encolhe a cada geração. A OCDE observa que 70% dos baby boomers — aqueles nascidos com a explosão demográfica em meados dos anos sessenta — faziam parte dessa classe social quando tinham 20 anos. Nos millennials –os nascidos a partir dos anos oitenta — o percentual cai para 60%. “A geração anterior teve empregos mais estáveis do que as gerações mais jovens”, aponta o relatório. Os salários pouco mudaram tanto em termos relativos quanto absolutos.

A renda de uma família considerada de classe média varia de país para país. Na Espanha, para entrar nesse patamar, uma pessoa morando sozinha precisaria ganhar entre 12.910 e 34.430 dólares por ano (entre 49.384 e 131.963 reais), de acordo com a escala da OCDE. No México, entre 3.760 e 10.020 dólares, enquanto nos Estados Unidos iria de 23.420 a 62.442 dólares. Se alguém ganha 23.000 dólares por ano, seria considerado de classe média em 25 dos 34 países da OCDE.
O rendimento médio cresceu a um ritmo mais lento durante a última década do que nas anteriores. O estudo aponta que nos últimos anos avançou a um ritmo rítmico de 0,3%, comparado com o 1% que avançou entre meados dos anos oitenta e meados dos anos noventa e o 1,6% entre meados dos anos noventa e a década seguinte. Somente em Israel e na Turquia a renda média é maior do que antes da crise, enquanto na Espanha e no México a renda média é “consideravelmente mais baixa”, um cálculo realizado considerando a evolução dos preços.
A crise de 2008 afetou este grupo. Uma das consequências da recessão é a piora de suas perspectivas. Isso explica, em parte, o surgimento de populismos e fenômenos políticos e sociais, como os coletes amarelos na França. Ángel Gurría, secretário-geral da OCDE, pede aos Governos que atuem para ajudar uma classe média em dificuldades. “Eles têm de ouvir as preocupações das pessoas e proteger e promover o padrão de vida da classe média”, exigiu. “Isso ajudará a impulsionar o crescimento econômico e a criar um tecido social mais coeso e estável”, concluiu.

A OCDE aponta que uma em cada três pessoas é “economicamente vulnerável” e adverte que isso acontece em países com sistemas de proteção social muito desenvolvidos, o que torna a situação ainda mais chocante. Entre as famílias de classe média, acrescenta, uma em cada sete poderia sair do grupo. A classe média também envelhece mais rápido do que o resto da população.
O relatório mostra que tende a haver menos desempregados que conseguem permanecer nesse nível social. Duas décadas atrás, diz a OCDE, metade das pessoas em idade de trabalhar que saíam do mercado de trabalho conseguiam manter sua posição. Agora, a maioria entraria na classificação de baixa renda. A queda é particularmente pronunciada na Espanha.
A percepção dos cidadãos em relação a esta disparidade é que o sistema econômico atual é “injusto” e que a classe média não se beneficia do crescimento da mesma maneira que contribui. A OCDE também aponta que o custo de vida está aumentando para a classe média, porque despesas como habitação crescem mais rápido do que a renda e a inflação. “Mais de uma em cada cinco famílias gasta mais do que ganha”, revela o estudo ao citar o endividamento: “parece cada vez mais, como um barco navegando em águas turbulentas”.
A mobilidade social também se reduz, porque as perspectivas do mercado de trabalho são cada vez mais incertas por causa da transformação derivada de fenômenos como a digitalização ou a automação. A OCDE observa que um em cada seis trabalhadores que recebem um salário médio poderia ver seu emprego ser substituído por máquinas em um futuro cada vez mais próximo.

ELEIÇÕES FRAUDADAS NO BRASIL ASSUME EMPRESA DE MKT DOS EUA

Cambridge Analytica veio ao Brasil após ter feito contato com um candidato à presidência.


Um link com diversos arquivos contendo e-mails da Cambridge Analytica (CA), consultoria política responsável pelo vazamento de dados do Facebook no Brexit e na campanha de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, passou a ser compartilhado nesta quinta-feira 2 em grupos de WhatsApp e em redes sociais.
A leva de e-mails foi divulgada por decisão de Brittany Kaiser, executiva da CA, e comprovam que a empresa chegou ao Brasil após ter feito contato com um candidato à presidência da República nas eleições de 2018, cujo nome não é mencionado.
Um dos e-mails de Kaiser é datado de maio de 2016 e direcionado a Pedro Vizeu-Pinheiro, ex-diretor do grupo SCL no Brasil. Ele se encontraria com um presidenciável e aparentemente seria o contato da CA com a campanha do político no Brasil.
“Caro Pedro, foi ótimo conversar com você hoje e falar sobre a reunião que você terá com o candidato à presidência no Brasil. Não hesite em contactar caso você precise de alguma coisa”, escreveu a executiva da Cambridge em 5 de maio daquele ano. Ele passaria a trabalhar para a empresa em julho, como alguém que iria "expandir nossas metas dentro dos setores político e comercial no Brasil", nas palavras de Kaiser.

quinta-feira, janeiro 02, 2020

JUÍZES DETONAM SÉRGIO MORO

Juiz que apoiava Moro quebra o silêncio e critica participação no governo Bolsonaro

“O juiz Sergio Moro deixou a magistratura para fazer parte do governo Bolsonaro, que foi de certa forma beneficiado, não pela Lava Jato em si, mas por tudo o que acontecia naquela situação”, diz Nino Toldo, ex-presidente da Associação de Juízes Federais

O juiz Nino Toldo, que presidiu a Ajufe (Associação de Juízes Federais do Brasil) entre 2012 e 2014,  e defendia sem qualquer ressalva o ex-juiz Sergio Moro reviu sua posição, ao conceder entrevista ao jornalista José Marques.

"É fundamental, para que o sistema de Justiça funcione bem, que não exista nenhum questionamento quanto à imparcialidade do juiz. O juiz não deve dar motivo para que a sua imparcialidade seja questionada. Uma certa frustração que gera é que isso possa estar sendo questionado agora. Por exemplo, o juiz Sergio Moro deixou a magistratura para fazer parte do governo Bolsonaro, que foi de certa forma beneficiado, não pela Lava Jato em si, mas por tudo o que acontecia naquela situação. A meu ver é muito ruim esse questionamento. Não critico o Sergio Moro pela decisão que ele tomou de sair da magistratura. Mas qualquer medida que um juiz tome que possa pôr em dúvida a sua imparcialidade é criticável", disse ele.

"Eu sou um crítico dos juízes que expõem demais na mídia, que se deixam expor, que se levam, sei lá por qual motivo, se por vaidade ou não...", afirmou ainda o magistrado. "O que o juiz precisa sempre levar em consideração é que ele tem suas próprias limitações, tem que buscar agir de forma extremamente correta nos casos que tem que julgar sem se deixar levar por essa aclamação popular que ele possa ter em função daquilo que ele está julgando."

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Fonte: 247

segunda-feira, dezembro 16, 2019

Por que os velhos são mais sábios

A sabedoria humana atinge o seu ápice justamente quando outras aptidões do cérebro começam a diminuir. Entenda essa aparente contradição


“Dai-me coragem para mudar o que posso, serenidade para aceitar o que não posso mudar e sabedoria para perceber a diferença.” A conhecida prece mostra com bastante simplicidade o quanto a capacidade de fazer bons julgamentos é valorizada. Mas seria a sabedoria uma dádiva ou algo que se desenvolve com o tempo?
Para o neuropsicólogo russo-americano Elkhonon Goldberg, não há nada de místico. Segundo ele, a sabedoria é uma forma de processamento mental muito avançada, que atinge seu auge apenas na velhice – justamente a época em que a capacidade do nosso cérebro começa a diminuir. Esses dois processos aparentemente contraditórios são o tema central do livro The Wisdom Paradox (“O Paradoxo da Sabedoria”, sem tradução para o português), publicado e, 2005. “A velhice é sempre vista como uma época de declínio, mas ela pode trazer novas habilidades muito poderosas”, diz Goldberg.
Mas o que é a sabedoria, afinal de contas? Os dicionários dizem que é a qualidade de ter experiência, conhecimento e capacidade de fazer bons julgamentos. Goldberg prefere uma descrição mais prática. “É a capacidade de ‘saber’ a solução de um problema complicado ou inesperado de maneira praticamente instantânea e sem esforço mental. É também a capacidade de conseguir antecipar eventos que costumam pegar as pessoas desprevenidas.” Mais do que simplesmente saber reconhecer uma situação de crise, por exemplo, o mecanismo da sabedoria permite enxergar formas de resolvê-la. Mesmo que a pessoa nunca tenha atravessado uma situação igual.
A chave para esse processo, segundo Goldberg, é a nossa capacidade de identificar padrões. Ao ver uma cadeira, por exemplo, somos capazes de identificar que aquilo é uma cadeira sem precisar ter visto todos os tipos e modelos de cadeiras que existem no mundo. Isso é possível porque criamos um modelo mental da cadeira genérica, com todas as suas características comuns, que é ativado quando vemos algum objeto que se encaixa na descrição. Isso funciona também com situações e na resolução de problemas. “Se não fosse por essa capacidade, cada objeto e cada situação que encontrássemos durante a vida seria tratado como uma coisa totalmente nova, e seríamos incapazes de usar nossas experiências anteriores”, diz o neuropsicólogo. A habilidade de reconhecer semelhanças entre problemas aparentemente novos e outros já resolvidos é o que Goldberg define como competência.
Quanto maior o número de experiências e padrões acumulados por uma pessoa competente, maior a sua experiência em um determinado campo. É por isso que um médico com vários anos de trabalho acumulados consegue resolver problemas melhor do que um recém-formado – apesar de o treinamento de ambos ser muito semelhante. Todos nós, em maior ou menor grau, possuímos competência e conseguimos acumular experiência, diz Goldberg. “Já a sabedoria é vista como a versão mais avançada dessas habilidades e exige uma forte mente analítica e uma biblioteca de padrões bastante abrangente.”
À medida que as relações entre os diversos padrões vão sendo processadas pelo cérebro, elas vão formando redes de neurônios que Goldberg chama de “atratoras”. São “circuitos” de memórias relacionadas que contam com diversas maneiras de ser ativados. Quando você vê o rosto de uma pessoa, ativa a rede atratora que relaciona várias outras coisas que você sabe sobre ela. A sabedoria, então, seria consequência de uma grande quantidade de redes atratoras no cérebro da pessoa. E tanto elas quanto os padrões levam tempo para serem acumulados em quantidade suficiente para resolver problemas de maneira rápida e eficiente. “Por causa disso, o envelhecimento acaba sendo o preço da sabedoria”, resume Goldberg.

Arquivo vivo

A relação entre sabedoria e envelhecimento não tem a ver somente com o acúmulo de experiências, segundo o autor. Um outro fator importante são as mudanças que ocorrem na forma como o cérebro lida com informações. O lado direito (esquerdo no caso dos canhotos), responsável pelo processamento de informações novas, costuma sentir os efeitos do envelhecimento antes do lado esquerdo, onde se concentra boa parte da nossa memória de longo prazo.
Na prática, a experiência e a sabedoria acabam conseguindo compensar parcialmente essa perda, diz o neuropsicólogo. “Quando somos jovens, a maior parte do nosso poder de processamento é empregada em tentar entender o mundo e as situações com as quais nos confrontamos”, explica ele. “Esse poder diminui com a idade. Em contrapartida, a maioria dos problemas que surgem pode ser resolvida com base na comparação com os padrões que foram acumulados. Isso demanda muito menos trabalho do nosso cérebro do que tentar entender uma situação completamente nova.”
A forma como a memória começa a falhar com a idade também tem um papel importante. Padrões, como as características em comum das cadeiras ou de problemas conhecidos, são muito mais resistentes ao tempo do que dados isolados – por exemplo, a informação de que Pequim é a capital da China. Por fim, o início do declínio mental costuma coincidir com a aposentadoria, época em que os desafios do dia a dia diminuem consideravelmente.
A história traz importantes exemplos de como essas capacidades analíticas conseguem sobreviver ao tempo e, inclusive, ao início de demências. O ex-presidente americano Ronald Reagan começou a apresentar os primeiros sinais do mal de Alzheimer enquanto ainda estava na Casa Branca. Winston Churchill, primeiro-ministro britânico durante a Segunda Guerra Mundial, teve diversos lapsos mentais e alguns derrames durante seus dois mandatos. Joseph Stalin, que comandou a ex-União Soviética por décadas até sua morte, em 1953, passou a ter diversas dificuldades de linguagem em seus últimos anos. Também há indícios de que o ditador nazista Adolph Hitler tenha começado a apresentar sinais de demências menores. O ponto comum entre essas personagens, diz Goldberg, é que, apesar desses problemas, todos eles ainda foram capazes de liderar seus países até praticamente a morte. “Sim, eles tinham muitos e muitos assessores para compensar as dificuldades. Mas em nenhum momento eles foram marionetes. Sempre estiveram no comando”, diz o neuropsicólogo.
Eram todos eles sábios? “Provavelmente não. Mas todos acumularam padrões e experiências e mostraram competência, que serviu para levar adiante seus bons e maus propósitos”, diz Goldberg. “Todos eles são exemplos de como o mecanismo de reconhecimento de padrões é poderoso e consegue compensar até certo ponto diversos outros problemas cognitivos.”
Somando tudo isso, fica fácil perceber que, na prática, a sabedoria trata-se mais de uma troca do que de uma supercapacidade. E é dessa forma que ela precisa ser encarada, diz Goldberg. Em outras palavras, não como o ápice do nosso processamento mental, mas como um mecanismo biológico para compensar a queda de capacidades como a concentração e a aquisição de novos conhecimentos. “Ela tem um efeito bastante considerável, mas é finito e apenas diminuiu o ritmo do nosso declínio mental, que é inevitável”, afirma Goldberg.

Experiência acumulada

Apesar de inevitável, o declínio mental é gradual em pessoas que não têm doenças degenerativas, com o mal de Alzheimer. Isso significa que é possível aproveitar bem as vantagens que a sabedoria traz. “Há diversas tarefas mentais nos quais os idosos têm resultados tão bons quanto os de pessoas mais jovens”, diz a neuropsicóloga Jacqueline Abrisqueta-Gomez, do Hospital São Paulo. Basta não considerar o tempo gasto, que nos idosos tende a ser maior. “Grandes empresas multinacionais costumam entregar o comando para profissionais na faixa dos 50 anos, que estão num ponto de equilíbrio entre velocidade de processamento e experiência acumulada”, diz a médica.
Há também aqueles que atingiram o ponto alto de suas capacidades exatamente na velhice. Entre os exemplos, Goldberg cita o escritor alemão Goethe. Ele escreveu o primeiro volume de Fausto, sua obra-prima, aos 59 anos, e a segunda aos 83. “Goethe escreveu muitos livros durante sua vida, mas foi justamente a obra produzida na velhice que se tornou sinônimo de seu nome através dos séculos.” Outro exemplo citado é o do arquiteto espanhol Antoni Gaudí, que morreu num acidente aos 74 anos, no auge de sua capacidade criativa.
No fundo, talvez seja a experiência e a sabedoria que nos permitam viver 60, 70, 80 ou mais anos. “Somos uma das poucas espécies cuja vida vai além do período reprodutivo”, diz Goldberg. Qual seria a importância de um indivíduo que, do ponto de vista biológico, não tem mais nada para contribuir para a perpetuação da sua espécie? “Uma possibilidade é que os mais velhos contribuam de uma maneira crítica para a sobrevivência da espécie por outros meios – particularmente na transmissão do seu conhecimento acumulado para as gerações mais novas por meios culturais, como a linguagem”, acredita o pesquisador.
Assim como nem todos os idosos apresentam demências graves, nem todos atingirão a sabedoria. Embora o potencial de certas pessoas seja maior que o de outras, é preciso desenvolvê-lo. “Expor-se constantemente a novos desafios mentais é um ingrediente muito importante”, diz Goldberg. Sem o acúmulo de experiências que alimentam a biblioteca de padrões, mesmo a mais analítica das mentes não conseguiria chegar à sabedoria. A sabedoria, escreveu o filósofo grego Sócrates, começa com a vontade de saber.

Auge e declínio

O que acontece com o cérebro na fase de envelhecimento
Apesar de a velhice ser um pré-requisito para a sabedoria, isso não quer dizer que ela seja uma época de ouro para a mente. O cérebro humano segue algumas fases de desenvolvimento bem distintas, e o envelhecimento não é a mais gentil delas. A primeira fase é a do desenvolvimento, que em geral dura até os 30 anos de idade. Depois se segue uma fase de maturidade e estabilidade, em que a prioridade passa a ser o uso do que foi aprendido.
A partir dos 40 anos, começamos a perder neurônios. A capacidade de adquirir novos conhecimentos diminui e a velocidade de processamento do cérebro também vai caindo. A visão e a audição podem começar a falhar, o que dificulta a concentração. Taxas elevadas de colesterol, mesmo abaixo do que as necessárias para causar um derrame ou um ataque cardíaco, são capazes de provocar microderrames, que podem lesar áreas do cérebro. Por último, há o risco de se desenvolver o mal de Alzheimer, que afeta a memória e acelera os efeitos do envelhecimento.
Podemos não ser mais tão mentalmente capazes na velhice, mas as necessidades também tendem a diminuir. “O início do declínio mental costuma ser acompanhado pela aposentadoria, quando passamos a ser menos exigidos mentalmente”, diz o neurologista Ivan Okamoto, do Hospital Albert Einsten, em São Paulo. Mas isso não deve ser desculpa para pararmos de usar nosso cérebro: quanto mais o exercitamos, mais resistente ele se torna aos efeitos do envelhecimento.

Malhação mental

Manter a mente ativa é a melhor forma de retardar o aparecimento de problemas típicos da idade. Eis algumas dicas para você exercitar seu cérebro
• Procure novas formas de fazer as coisas. Alguns exemplos simples e eficientes são criar novas rotas para o caminho de casa para o trabalho ou imaginar novas formas de arrumar os móveis.
• Não caia na rotina. Nosso piloto-automático mental é realmente muito útil e eficiente no dia a dia, mas nossa mente acaba se acomodando se tudo for feito apenas por hábito.
• Procure outras atividades mentais, como aprender alguma coisa nova. E, de preferência, escolha algo bastante diferente dos conhecimentos que você usa no seu trabalho.
• Exercícios físicos também são importantes para diminuir os riscos de derrames e microderrames.
• Dedicar-se a alguma forma de arte também é um ótimo exercício mental.
• A partir dos 50 anos, é uma boa ideia fazer check-ups periódicos das suas capacidades cognitivas. “Quanto mais cedo os indícios de problemas forem identificados, mais fácil será conter o seu avanço”, diz a neuropsicóloga Jacqueline Abrisqueta-Gomez, do Hospital São Paulo.
• Encare o ato de pensar como uma atividade genuína e com valor em si mesma, diz Goldberg. “Faça dela uma parte do seu estilo de vida.”

O que faz a diferença

Outros animais também aprendem a identificar padrões, mas a capacidade é limitada
A capacidade de identificar padrões está presente em todos os animais com aptidão para aprender. “Em Nova York, os porteiros costumam ter biscoitos para cachorro guardados nos seus locais de trabalho”, conta o neuropsicólogo Elkhonon Goldberg. “Por conta disso, meu cachorro, assim como muitos outros, desenvolveu uma surpreendente capacidade de identificar porteiros.” Mas em outras espécies que não os humanos, essa habilidade costuma ser limitada. O motivo, segundo acredita Goldberg, é a falta de linguagens elaboradas, principalmente escritas. “Sem isso, o aprendizado que o animal tem sobre o mundo começa sempre do zero. Humanos, em contrapartida, conseguem armazenar conhecimentos de várias formas e transmiti-los através das gerações.”
28 set 2018, 19h36 - Publicado em 28 fev 2006, 22h00
Fonte: Revista Super Interessante

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