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quarta-feira, junho 01, 2016

35 Testes de Vestibulares sobre História da América


1 – (UFG) A Inglaterra apoiou os movimentos da independência das colônias luso-espanholas devido ao (à).
a) Receio da expansão comercial das colônias.
b) Influência das idéias geradas pela Revolução Francesa.
c) influência das novas idéias políticas do século XVIII sobre a Espanha e Portugal.
d) Necessidade de aumentar a produção industrial das colônias.
e) Necessidade de assegurar novos mercados para seus produtos.
2 – (UFU) No início do século XIX, a independência da América Espanhola ocorreu num contexto político internacional marcado por fatos. Dentre os fatos que favoreceram a independência da América Espanhola, podemos mencionar.
a) A Revolução Industrial Espanhola.
b) A derrota dos americanos na guerra de independência dos Estados Unidos.
c) O Despotismo Esclarecido.
d) O triunfo do absolutismo de direito divino na Espanha.
e) As guerras napoleônicas.
3.(UFMG) A política da Santa Aliança, em relação às colônias espanholas da América, objetivava:
a) Fazer prevalecer os princípios da “Doutrina Monroe”.
b) Restaurar o antigo sistema colonial.
c) Difundir as idéias político-sociais da Revolução Francesa.
d) Incentivar os movimentos nacionais de caráter separatista.
e) NDR.
4 – (FUVEST) No processo de emancipação política da América espanhola destaca-se a participação:
a) Da população nativa que através do Exército que  lutou contra os cabildos criollos.
b) Dos indígenas que através dos cabildos organizaram o Estado Nacional.
c) Dos chapetones que para garantir seus interesses controlaram o Exército.
d) Dos caudilhos que defendiam princípios liberais e descentralizadores.
e) Dos Criollos que através dos cabildos defendiam os interesses locais.
5 – (PUC-SP) O movimento de emancipação política da maioria dos países de colonização espanhola da América não significou a quebra das estruturas sociais e econômicas. Daí se verificou que:
a) A dominação dos proprietários rurais foi garantida por novas incorporações territoriais.
b) As diferenças entre as várias classes da população foram superadas pelo desejo de união nacional.
c) O fortalecimento do poder político pessoal deu origem ao caudilhismo.
d) Os intelectuais apoiaram-se nas idéias libertárias para defender propostas de igualdade social.
e) A atuação da Igreja foi importante para garantir as reivindicações populares.
6 – (OBJETIVO-SP) Sobre a independência da América Latina, assinale a alternativa incorreta:
a) O rompimento do equilíbrio político europeu acelerou o processo de descolonização da América Luso-espanhola.
b) Ao nível interno, a Crise do Sistema Colonial explica-se pelo próprio crescimento econômico das colônias, pois esse desenvolvimento levava ao choque entre os interesses dos colonos e de suas metrópoles.
c) A independência do Brasil foi estabelecida pelos próprios reis portugueses, que aqui estiveram desde a época de Pombal até ao governo de Dom Pedro I.
d) Enquanto a independência da América Espanhola caracterizou-se pela fragmentação territorial e guerras sangrentas, a independência do Brasil marcou-se por seu caráter pacífico e pela manutenção da unidade territorial brasileira.
e) O Uruguai não se emancipou diretamente de sua metrópole européia,, tendo-se libertado do Brasil em 1828.
7 – (OSEC-SP) Os movimentos de independência do Brasil e das colônias espanholas na América podem ser explicados em função:
a) Do desenvolvimento do capitalismo industrial e das restrições impostas pelo Pacto Colonial.
b) Do desenvolvimento industrial metropolitano, que exigia mercados abertos e diversificação da produção.
c) Da difusão das idéias liberais.
d) As alternativas a e c estão corretas.
e) As alternativas b e c estão corretas
8 – (OBJETIVO-SP) Não podemos considerar como fator de crise do Antigo Sistema Colonial.
a) A Revolução Industrial.
b) O Iluminismo.
c) A independência dos Estados Unidos da América.
d) A Revolução Francesa.
e) A Primeira Guerra Mundial.
9 – (UFF) Ao final das guerras de independência na América Espanhola, o clima de instabilidade política alastrou-se por toda parte, multiplicando-se as lutas de facções e a sucessão de governos frágeis em quase todos os territórios hispano-americanos.
Assinale a opção que explica melhor a instabilidade política vigente na América Espanhola na primeira metade do século XIX.
a) Nesse período não foi possível a formação de blocos de poder hegemônicos que viabilizassem estruturas estatais sólidas nos países resultantes do esfacelamento do império hispano-americano. Isto favoreceu o poder pulverizado e efêmero de vários caudilhos.
b) As economias hispano-americanas estavam totalmente destruídas, rompendo-se, por conseguinte, o comércio com a Europa, outrora vigoroso, e a possibilidade de alianças políticas no interior das classes dominantes.
c) A manutenção das heranças políticas coloniais, sobretudo a estrutura dos Vice-Reinados, favoreceu o caudilhismo e retratou a formação dos Estados Nacionais.
d) A opção pelo regime republicano, ao invés do monárquico, é a chave para se compreender não só a instabilidade política das jovens nações hispano-americanas, mas também a fragmentação territorial e a descentralização dos regimes nelas instauradas.
e) A instabilidade política hispano-americana deveu-se, basicamente, à multiplicação de regimes militares, a exemplo do pan-americanismo bolivariano, herança do pós-independência que marcaria a tradição política do continente.
10 – (FUVEST – 1997) Sobre o processo de independência política da América Espanhola é possível afirmar que:
a) diferentemente do Brasil, a longa guerra, que teve importante participação popular, fez emergir interesses sociais conflitantes.
b) a Espanha, sob domínio francês, ficou de mãos atadas, sem poder intervir no combate aos rebeldes.
c) a participação maciça de escravos ao lado dos rebeldes contrastou com a apatia das massas indígenas.
d) a Igreja Católica e os comerciantes abastados assumiram posições idênticas, a favor da Coroa espanhola.
e) os acordos políticos, levados à frente pelas elites, garantiram aos menos privilegiados as reformas sociais pelas quais tinham lutado.
11 – (PUC-RJ) Considere as seguintes afirmativas a respeito do caudilhismo na América de colonização espanhola.
I.O caudilhismo tem no latifúndio sua base econômica e social.
II. As relações de poder caracterizam-se pelo uso sistemático da violência.
III. O poder político do caudilho instalou-se logo após a chegada dos conquistadores.
IV. As relações de poder incluem as práticas das relações de compadrio.
Assinale a alternativa que contém as afirmativas corretas:
a) somente I, III e IV;
b) somente II, III e IV;
c) somente I e II;
d) somente I, II e IV;
e)  todas as afirmativas estão corretas.
12 – (CES – 2000) O apoio da Inglaterra aos movimentos de emancipação, ocorridos nas colônias luso-espanholas, deveu-se principalmente:
a) À simpatia inglesa pelos ideais defen­di­dos pelos líderes dos movimentos de au­to­nomia;
b) À necessidade de aumentar a produção industrial das colônias;
c) Aos grandes investimentos ingleses nas colônias hispano-americanas;
d) À necessidade urgente de assegurar novos mercados para seus produtos e compensar a perda dos mercados europeus;
e) O receio da expansão dos ideais da Revolução Francesa nas antigas colônias.
13 – (EFOA – 1999) Em maio de 1997 as forças armadas do Peru invadiram a residência do embaixador do Japão em Lima, pondo fim a mais de 100 dias de ocupação da embaixada por terroristas do Movimento Revolucionário Tupac Amaru. Este nome é uma homenagem a Tupac Amaru, um dos precursores da luta pela independência da América Espanhola.
Qual das opções abaixo NÃO apresenta um fator importante no desencadeamento do processo de independência hispano-americano?
a) Apoio dado aos revoltosos pela Inglaterra e pelos Estados Unidos.
b) Ampla divulgação dos ideais de libertação socialista, exemplificados pela Revolução Russa.
c) Proclamação da Doutrina Monroe contra as pretensões colonialistas da Santa Aliança.
d) Revolta dos escravos em 1793 contra a elite branca, promovendo a libertação do Haiti.
e) Ascensão de José Bonaparte ao trono da Espanha.
14 – (UNIBH – 1999)  Sobre a independência política das ex-colônias espanholas no Novo Mundo é correto afirmar, EXCETO:
a) O movimento de libertação liderado por Tupac Amaru, em 1781, à frente de um grande contingente de índios, deu início aos combates contra as tropas enviadas pela Coroa Espanhola, mas acabou fracassando.
b) Os Cabildos, assim que foram instalados, desempenharam um papel muito importante para a emancipação política, com a criação de Juntas Governativas controladas pelos “criollos”, que expulsaram as autoridades metropolitanas.
c) A Inglaterra, grande interessada na independência das colônias espanholas, não teve condições de ajudar   os colonos desde o início, porque estava envolvida nas Guerras Napoleônicas e no conflito contra os Estados Unidos.
d) No processo de independência, sob a liderança de Simon Bolívar, surgiu o pan-americanismo, que pregava a solidariedade continental e a unidade política das ex-colônias apesar das rivalidades entre os “criollos”.
15 – (FDV – 2000) O interesse da Inglaterra pela independência da América Latina prendia-se ao fato de que:
a) intervindo aqui na América, a Inglaterra pretendia tomar todos os portos e transformá-los em territórios ingleses.
b) embora os mercados latino-americanos não tivessem valor comercial, os ingleses queriam mostrar idéias de liberdade e de anti-absolutismo.
c) assim que esses países se tornassem independentes, a Inglaterra tinha a intenção de instaurar uma monarquia constitucional em cada um deles.
d) rompendo os laços com as antigas metrópoles, a Inglaterra, com seu potencial industrial, poderia conquistar os mercados americanos, apoiada pela doutrina da liberdade econômica.
e) havia o interesse em divulgar o protestantismo em países católicos, que tornados independentes poderiam escolher outra religião oficial.
16 – (FEI – 2000) Estimuladas pelas idéias iluministas e pelo exemplo vitorioso da Revolução Americana, muitas colônias da América tornaram-se independentes ao longo das duas primeiras décadas do século XIX. A independência do Haiti, colônia francesa, foi a mais singular de todas porque:
a) foi feita pelos escravos que, ao mesmo tempo proclamaram a independência e aboliram a escravidão.
b) levou à criação de um país que adotou a monarquia absoluta como forma de governo.
c) tornou-se uma monarquia constitucional, diferentemente do restante dos novos países, que se tornaram repúblicas d) instituiu o primeiro governo socialista, com a coletivização das terras.
e) reintroduziu a escravidão na região, o que havia sido abolido na Revolução Francesa.
17 – (FGV – 1998) “J. J. Dessalines liderou uma revolução escrava, de caráter anticolonial, que culminou na independência de uma das mais importantes colônias açucareiras. Esta região torna-se independente a partir de 1804.” A região mencionada é:
a) Cuba;
b) Panamá;
c) Jamaica;
d) Haiti;
e) República Dominicana;
18 – (FGV – 1998) Entre os acontecimentos que tornaram possível a independência política das colônias espanholas na América, na 1ª década do séc. XIX, estão:
a) A substituição de Fernando VII por José Bonaparte e o apoio inglês à França contra à tirania espanhola na América;
b) A invasão napoleônica na Espanha, o estabelecimento das Juntas Autoconstituídas e a penetração econômica inglesa nas colônias;
c) O apoio francês aos ideais emancipacionistas das colônias e o apoio dos criollos à França napoleônica;
d) O rompimento das Juntas Autoconstituídas e a penetração econômica francesa nas colônias;
e) A invasão napoleônica na Espanha e o princípio das Juntas Governativas de aceitarem á subordinação à França liberal;
19 – (FGV – 1999) Sobre o Congresso do Panamá em 1826 é correto afirmar que:
I.  estabeleceu um pacto entre a Grã-Colombia, Peru, México e Províncias Unidas de Centro-América de perspectiva integradora;
II. o espírito do bolivarismo conduziu às discussões e decisões do Congresso;
II. o Brasil fez-se representar defendendo a autonomia republicana dos Estados Nacionais latino-americanos;
IV. o objetivo central do Congresso foi o alinhamento dos países hispano-americanos à Doutrina Monroe;
V. a abolição da escravidão foi um dos pontos aprovados para os países que ratificassem as resoluções.
a) apenas I está correta;
b) I, II e V estão corretas;
c) apenas II está correta;
d) III, IV e V estão corretas;
e) I, II e III estão corretas.
20 – (FUVEST – 1996) Simon Bolívar escreveu na conhecida Carta da Jamaica de 1815:
“Eu desejo, mais do que qualquer outro, ver formar-se na América Latina a maior nação do mundo, menos por sua extensão e riquezas do que pela liberdade e glória.”
Sobre esta afirmação podemos dizer que:
a) tal utopia da unidade, compartilhada por outros líderes da independência, como San Martin e O’ Higgins, não vingou por ineficiência de Bolívar.
b) inspirou a união entre Bolívia, Colômbia e Equador que formaram, por mais de uma década, uma única nação, fragmentada, em 1839, por problemas políticos.
c) Bolívar foi o primeiro a pensar na possibilidade da unidade, idéia posteriormente retomada por muitos políticos e intelectuais latino-americanos.
d) essa idéia, de grande repercussão entre as lideranças dos movimentos pela independência, foi responsável pela estabilidade da unidade centro-americana.
e) Bolívar foi uma voz solitária, nestes quase 200 anos de independência latino-americana, ausentando-se tal idéia dos debates políticos contemporâneos.
21 – (PUC – MG – 1997) Os anos iniciais do século XIX marcaram uma conjuntura na qual foram efetivados os processos de independência política e a formação dos Estados Nacionais dos países latino-americanos. Sobre esses processos, é correto afirmar que, EXCETO:
a) o ideário burguês liberal legitimou o discurso das lideranças emancipacionistas.
b) a abolição da escravidão e do tributo indígena ampliou a participação efetiva dos trabalhadores.
c) a liberdade foi a palavra de ordem, entendida de formas variadas pelos agentes sociais.
d) a pressão do imperialismo inglês forçou a derrubada de privilégios e restrições ao comércio.
e) os setores criollos assumiram a direção política e acabaram com os monopólios régios.
22 – (PUC – MG – 1998) A influência do Liberalismo, ideologia da Revolução Francesa, nos movimentos de emancipação da América Latina no século XIX, é limitada por vários motivos. Dentre eles, destaca-se:
a) a ausência de uma classe operária organizada.
b) a oposição da elite colonial aos ideais liberais.
c) a marcante presença da cultura católica.
d) o predomínio do latifúndio monocultor.
e) o grave conflito interno entre as províncias.
23 – (PUC – MG – 1998) São fatores que contribuíram para a emancipação das colônias espanholas, no início do século XIX, EXCETO:
a) a influência dos ideais da Revolução Francesa e da independência dos EUA.
b) o enfraquecimento do poder espanhol, agravado com o domínio napoleônico.
c) a tomada de consciência política dos setores populares, pressionando o fim do Pacto Colonial.
d) a desigualdade de direitos entre metropolitanos e “criollos”, proibidos de exercer cargos no governo das colônias.
e) o rígido sistema de monopólio comercial estabelecido pela Metrópole.
24 – (PUC – MG – 1998) A independência das colônias espanholas na América, no século XIX:
a) supera as arcaicas estruturas da economia colonial.
b) rompe definitivamente com o poder da metrópole.
c) aniquila o poder político da aristocracia rural.
d) estabelece a igualdade civil para todas as classes.
e) mantém a união do Estado e da Igreja Católica.
25 – (PUC – MG – 2000) O processo de emancipação política na América Latina apresentou como características, EXCETO:
a) a influência dos EUA, orientados pela adoção da Doutrina Monroe.
b) o predomínio político das elites econômicas na articulação da independência.
c) o apoio da Inglaterra, motivada por seus interesses econômicos.
d) a ruptura com o tradicional modelo mineiro e/ou agrário-exportador.
e) a fragmentação territorial do vasto império colonial espanhol.
26 – (PUC – RJ – 2000) Assinale a opção que apresenta de maneira correta a relação entre: (I) os movimentos de resistência às medidas administrativas impostas pelos Bourbons nas colônias espanholas em fins do século XVIII; (II) os diferentes grupos sociais envolvidos; e (III) as idéias defendidas pelos revoltosos nessas manifestações.
a) A oposição aos excessivos tributos cobrados sobre a exportação do açúcar nas colônias do Caribe espanhol _ particularmente em Cuba _ reuniu plantadores e comerciantes, artesãos e assalariados em revoltas urbanas com vistas à independência e à constituição de governos republicanos na região.
b) No Vice-reino da Nova Espanha, a oposição à cobrança da alcabala – o imposto sobre a venda de mercadorias _ aos índios e mestiços traduziu-se em inúmeros levantes indígenas; possuidora de forte cunho religioso, essa oposição culminaria na famosa revolta do Padre Hidalgo.
c) No Vice-reino do Peru, Túpac Amaru liderou a oposição às autoridades locais, pregando o fim da prática do repartimiento, da cobrança alcabala e da mita, mas se mantendo fiel ao Rei da Espanha. Trabalhadores índios e mestiços, mineiros e artesãos lhe deram apoio em diferentes momentos da revolta.  
d) No Vice-reino de Nova Granada, a revolta dos chamados Comuneros caracterizou-se pela oposição ao aumento na alcabala e aos novos impostos. Com o brado de “viva o Rei e morra o mau governo”, líderes criollos reuniram uma multidão de camponeses índios, mestiços e escravos contra o vice-rei.
e) No Vice-reino do Prata, a conjuração em Buenos Aires manifestou desde cedo a intenção de ruptura com os laços coloniais, reunindo membros da elite de comerciantes e mineiros e excluindo mulatos e negros livres ligados ao artesanato e ao pequeno comércio urbano.
27 – (PUC – RS – 1999) Em 1823, o presidente norte-americano James Monroe proclama a célebre mensagem ao Congresso, a qual se tornaria  uma orientação histórica da política externa dos Estados Unidos. A chamada Doutrina Monroe originariamente referia-se ao contexto no qual ocorria o processo de _______________ na América hispânica, apoiado materialmente pela ___________________ e potencialmente ameaçado pela organização internacional conhecida como ______________________.
a) Unificação comercial / França / Liga Européia de Comércio.
b) Independência política / Inglaterra / Santa Aliança.
c) Independência Política / França / Corte-Internacional de Justiça.
d) Unificação comercial / França / Santa Aliança.
e) Independência política / Inglaterra / Corte-Internacional de Justiça.
28 – (PUC – RS – 1999)  Ao longo do século XIX, após o processo das independências políticas, os países latino-americanos assumem novas funções na economia  mundial, as quais se articulam, externa e internamente, a partir de um novo “Pacto Colonial” com os países centrais.  A estruturação interna desse novo “Pacto Colonial”, de modo geral, não apresentava como característica.
a) a importação em larga escala de produtos industrializados.
b) os deficits  crônicos na balança comercial.
c) o endividamento do setor público.
d) a adoção planejada de   medidas protecionistas para o setor industrial.
e) as concessões para grupos estrangeiros nos setores de mineração, transporte e energia.
29 – Leia o texto
Na América espanhola, as lutas pela independência começam numa conjuntura precisa: a caduquice da Coroa espanhola por obra e graça do poder napoleônico. A Espanha está ocupada. Um rei francês (…) ocupa o trono real e os últimos vestígios de soberania refugiam-se numas espectrais Juntas ou num Conselho de Regência.  
(POMER, Leon. As independências na América Latina. São Paulo, Brasiliense, 1981.)
Para Portugal e sua colônia americana outro será o desenrolar dos acontecimentos e outras serão suas conseqüências. A ocupação do Reino não significou o fim da Monarquia, apesar da solene declaração de Napoleão neste sentido.  
(BERNARDES, Denis. Um império entre repúblicas. São Paulo, Global, 1983.)
De acordo com os textos apresentados, a diferença entre os processos de independência política das colônias espanholas e portuguesa na América, respectivamente, está indicada na seguinte alternativa:
a) a invasão das tropas napoleônicas provocou o declínio da economia colonial espanhola   — a não-invasão de Portugal garantiu a manutenção de um rígido pacto colonial sobre o Brasil.
b) a invasão francesa na Espanha possibilitou a rápida difusão das idéias liberais em suas colônias — a não-expansão dos ideais liberais no Brasil ocorreu devido à manutenção de um Estado absolutista em Portugal.
c) a invasão napoleônica contribuiu para a reorganização das colônias espanholas em cabildos livres — a transferência da corte portuguesa para o Brasil possibilitou a autonomia sem o rompimento definitivo com Portugal.
d) as colônias espanholas tiveram apoio de Napoleão e dos liberais franceses em sua luta contra a exploração metropolitana — as elites coloniais brasileiras não se rebelaram contra Portugal devido ao apoio inglês a esta metrópole.
30 – (UFF – 1996) Se considerarmos como movimentos precursores da independência, na América Espanhola e no Brasil, unicamente aqueles em que a idéia de independência – isto é, de ruptura dos laços políticos com as monarquias ibéricas – chegou a ser explicitamente formulada, muitos pretensos movimentos precursores mostram que não o são de fato. Segundo o critério apontado, foram verdadeiros movimentos precursores da independência na América Espanhola e no Brasil:
a) Movimento de Túpac Amaru nos Andes (1780-1781); Guerra dos Emboabas no Brasil (1708-1709)
b) Expedição de Francisco Miranda na Venezuela (1806); Inconfidência Mineira no Brasil (1788-1789)
c) Revolta contra os impostos de alcabala na Nova Granada (1780-1781); Guerra dos Mascates no Brasil (1711)
d) Revolta  na  Venezuela  contra a Companhia Guipuzcoana (1749); Insurreição Pernam-bucana no Brasil (1645-1654)
e) Guerra  civil no Peru (1543-1548); revolta con-tra o governo de Salvador Correia de Sá e Benevides no Rio de Janeiro (1660-1661)
31 – (UFF – 1997) Túpac Amaru – nome assumido por um líder rebelde que se chamava Condorcanqui – chefiou em 1780-1781 uma rebelião nas terras altas do Peru.
Assinale a frase que exprime características verdadeiras de tal revolta.
a) Foi uma revolução social que pretendeu instalar nos Andes uma sociedade tribal e igualitária, sem propriedade privada.
b) O movimento consistiu em uma traição aos ideais indígenas, já que o seu líder descendia parcialmente de espanhóis, estudara na Espanha e era casado com uma espanhola.
c) Trata-se de um movimento fracassado de independência do Peru, que reivindicava a restauração do Império Inca.
d) Túpac Amaru descendia de um líder inca executado pelos espanhóis no século XVI e pretendia obter para si o cargo de vice-rei do Peru.
e) O movimento sempre proclamou lealdade ao deus cristão e ao rei da Espanha, voltando-se contra os abusos dos funcionários e exigindo impostos menores, melhor sistema de justiça e economia inter-regional mais aberta.
32 – (UFMG – 1998) Assinale a alternativa que apresenta informação correta sobre o processo de independência da América Espanhola.
a) As elites criollas lideraram os movimentos de independência nas colônias, objetivando liberdade de comércio e poder político.
b) A monarquia espanhola reagiu rapidamente às lutas de independência, enviando tropas numerosas e bem armadas a todas as colônias rebeladas.
c) Os índios, negros e mestiços apoiaram os criollos, formando uma frente contra o colonialismo espanhol.
d) O conjunto das lideranças independentistas defendia a instauração do regime monárquico constitucional.
33 – (UFPB – 1999) As invasões de Espanha e Portugal pelos exércitos de Napoleão Bonaparte desencadearam o processo de independência das colônias ibéricas na América. Entre as causas que levaram estas colônias à independência, considere as seguintes:
I.  A Inglaterra apoiou os movimentos de independência, porque estava interessada em expandir os mercados para seus produtos industrializados.
II. Um surto de revoltas de escravos índios e negros, motivados pela independência do Haiti, levou as elites coloniais a desejarem a independência como um meio de fazer frente a estas revoltas.
III. A independência dos Estados Unidos e as idéias iluministas de liberdade individual e auto-governo serviram como forte estímulo, para que as elites coloniais lutassem pela separação das potências ibéricas.
É (são) verdadeira(s) apenas
a)  I
b)  II
c)  I e III
d)  II e III
e) I e II
34 – (UFRN – 2000) No princípio do século XIX, as colônias espanholas na América tiveram condições de deflagrar um movimento antimetropolitano que resultou na independência política dessas áreas coloniais.
Vários fatores estiveram associados àquele movimento; entre eles, destaca(m)-se a(s)
a) crise institucional portuguesa, que possibilitou o processo de independência brasileiro, o qual se tornou um modelo na América Latina.
b)  guerras travadas pelo Império Napoleônico, que alteraram o equilíbrio de forças na Europa e se refletiram nos domínios coloniais europeus.
c) deliberações políticas do Congresso de Viena, as quais foram favoráveis à independência de colônias de nações européias.
d)  Doutrina Monroe, que apregoava a independência e a autonomia política das nações latino-americanas frente aos Estados Unidos.
35 – (UFRJ – 1999)
 “Dos ricos é e foi fácil, desde a independência, o governo. Os pobres foram soldados, milicianos nacionais, votaram como o patrão mandou, lavraram a terra (…).Os pobres gozaram da gloriosa independência assim como os cavalos que em Chacabuco e Maipu avançaram contra as tropas do rei”.
Santiago Arcos. In:  GALEANO, Eduardo. As caras e as  máscaras. Rio de Janeiro, Nova   Fronteira, 1985.
O texto acima apresenta uma visão crítica da América Espanhola, a partir de sua independência política  e refere-se ao fato
a) de a independência da América Espanhola ter  sido realizada   sob a liderança da  Inglaterra (“ricos”), tornando os  colonos ( “pobres”) simples massa de manobra.
b) de os pobres da América Espanhola não serem capazes de compreender o alcance do processo de independência.
c) de o processo de independência ter sido liderado pelos “criollos”, elite colonial sem maiores compromissos com a situação dos índios, negros e mestiços.
d) de os pobres da América Espanhola lutarem após a independência por uma revolução social que acabasse com sua exploração, tendo sido, porém, derrotados.
e) de a independência ter-se dado somente no campo político, já que a Espanha manteve a dominação econômica sobre as suas antigas colônias.
GABARITO:
1 – E /  2 – E /  3 – B /  4 – E /  5 – C /  6 – C /  7 – D /  8 – E /  9 – A /  10 – A / 11 – B /  12 – D /  13 – B /  14 – B /  15 – D /  16 – A /  17 – D /  18 – B /  19 –B /  20 – B /  21 – B / 22 – C /  23 – C /  24 – B /  25 – D /  26 – C /  27 – B /  28 – D /  29 – C /  30 – B /  31 – E / 32 – A /  33 – C /  34 – B /  35 – C
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Laura de Mello e SOUZA. Inferno atlântico. São Paulo, Companhia das Letras, 1993.
Tzvetan TODOROV. A conquista da América. A questão do outro. São Paulo, Martins Fontes, 1988.
Donghi, Tulio. História da América Latina, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1989.
Divini, Fredrickson e outros. América. Passado e Presente, Rio de Janeiro, Nórdica, 1992.

ESCRAVIDÃO É CRIME HEDIONDO E EXISTE NO BRASIL


Por meio da Lei de Acesso à Informação, Repórter Brasil e InPACTO divulgam a “Lista da Transparência sobre Trabalho Escravo”, com 420 nomes flagrados com essa mão de obra.
Uma liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal impedindo o governo federal de divulgar a “lista suja” do trabalho escravo, no final do ano passado, continua em vigor. Por conta disso, a Repórter Brasil e o Instituto do Pacto Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (InPACTO) solicitaram com base na Lei de Acesso à Informação (12.527/2012), que o Ministério do Trabalho e Emprego (responsável pela lista desde 2003) fornecesse os dados dos empregadores autuados em decorrência de caracterização de trabalho análogo ao de escravo e que tiveram decisão administrativa final, entre maio de 2013 e maio de 2015.
Sendo considerado crime hediondo e é uma das piores e mais cruéis faces do capitalismo e de empresários inescrupulosos. A existência por si só desta constatação e a não divulgação pelos meios de comunicação de massa, demonstra o atraso e subdesenvolvimento da burguesia brasileira e de seus representantes nos aparelhos do Estado.

“Lista de Transparência sobre Trabalho Escravo Contemporâneo no Brasil”:  em 
http://reporterbrasil.org.br/2015/09/lista-de-transparencia-sobre-trabalho-escravo-traz-nomes-flagrados-por-esse-crime/








terça-feira, maio 31, 2016

Michael Löwy: “O Estado de exceção predomina. A democracia é que foi excepcional”

michael lowy md18
Entrevista especial com Michael Löwy.
Michael Löwy, sociólogo brasileiro radicado na França, alerta para o risco que corre a democracia com os novos golpes na América Latina e com a ascensão da extrema-direita na Europa. O pensador acredita que a esquerda deva se unir para barrar o golpe no Brasil, mas sem perder seus horizontes utópicos. Especialista em sociologia das religiões, Löwy analisa o impacto político das igrejas neopentecostais no Brasil. Assinala ainda a necessidade de se criticar o atual modelo de desenvolvimento econômico a partir de uma perspectiva que coloque em questão as consequências sócio-ambientais do capitalismo. Esta conversa, conduzida por Daniel Garroux (Doutorando USP / Paris 10), Frederico Lyra (doutorando Lille 3) e Gabriel Zacarias (Pós-doutorando USP / EHESS), inaugura a série de entrevistas do Movimento Democrático 18 de Março (MD18) com grandes intelectuais de esquerda. Mais informações sobre o movimento e o projeto de entrevistas ao final deste post!
* * *
Em um artigo publicado recentemente em português no Blog da Boitempo, o senhor afirma que o que acontece atualmente no Brasil deve ser considerado um golpe de estado. Poderia comentar essa afirmação?
Cito aquela frase famosa de Marx, que por sua vez cita Hegel, segundo a qual a História acontece duas vezes: a primeira, como tragédia, e a segunda, como farsa. A tragédia foi o golpe de 1964, vinte anos de ditadura, centenas de mortos e milhares de torturados. Agora temos direito à farsa, àquele espetáculo ridículo de centenas de deputados e, em seguida, senadores, a maioria dos quais envolvidos em escândalos de corrupção, dando-se ares de salvadores da pátria e vestindo-se com a bandeira do Brasil. Uma palhaçada total. Destituíram a presidenta Dilma sob o pretexto ridículo das pedaladas fiscais, algo que todos os governos fizeram antes e que os governadores também fazem. Um recurso comum e corrente, que não configura crime, apenas uma irregularidade administrativa. Trata-se realmente de uma farsa grotesca, mas que pode custar caro para a população. Isso ilustra mais uma vez o desprezo da oligarquia que domina o Brasil há 500 anos – ainda que assuma outros nomes – pela democracia. Passam com o trator quando a democracia não vai para o lado que eles querem. Foi isso em 1964 e é o mesmo agora. Eu votei na Luciana Genro no primeiro turno e apoiei a Dilma no segundo, mas tenho muitas críticas ao seu governo. Ela fez uma campanha que pendia para a esquerda, com muitas promessas que não cumpriu. Logo no começo já implementou um ajuste fiscal. Fez todas as concessões aos bancos e aos latifundiários, colocou a Kátia Abreu no Ministério da Agricultura, cedeu ao grande capital… Para os trabalhadores, foram só sacrifícios. Foi muito decepcionante, pois ela fez demasiadas concessões à oligarquia. Mas a oligarquia não quer mais concessões, ela quer tudo. Quer a totalidade do poder, não quer mais negociar. Ela quer exercer o poder diretamente por meio de seus paus-mandados. É a isso que estamos assistindo.
Em outras palavras, podemos dizer que o modelo conciliatório, que fora estabelecido com a transição no final da ditadura, se exauriu?
É isso.
Assim sendo, a crise política que vivemos hoje não poderia ser vista também como uma oportunidade? Uma ocasião para inaugurar uma luta de esquerda que não seja mais pautada por esse parâmetro conciliatório?
Essa seria a versão otimista. Porém, como dizia Gramsci, acredito no “pessimismo da razão e no otimismo da vontade”. O pessimismo da razão diz que a conjuntura no momento não é favorável. Há uma ofensiva da direita em toda América Latina e também no Brasil, e a esquerda ainda está bastante isolada. O otimismo da vontade diz que precisamos justamente construir as condições para uma nova esquerda. Uma esquerda coerente com o programa inicial do PT, que era um programa socialista no Brasil, e que, desta vez, não capitule, não faça conchavos com a oligarquia. Nesse sentido, sim, talvez haja uma oportunidade. Temos que lutar para isso, mas é uma luta a médio e longo prazo. O imediato é unir esforços para barrar os golpistas. Unir todos que se opõem ao golpe, cada qual com seus motivos, em uma frente única. Mas, dentro dessa ampla unidade, os anticapitalistas devem colocar estas questões: “esse método de fazer alianças com o PMDB, com os latifundiários, é um bom método? Deu certo?” Temos que lutar juntos e, ao mesmo tempo, colocar essas perguntas.
Após junho de 2013, os movimentos sociais têm tomado novas formas no Brasil. Há um deslocamento da luta para dentro da cidade, seja com a ocupação das escolas pelos adolescentes, seja com o fortalecimento do MTST. Há também um forte movimento feminista, que foi o principal a se opor às medidas retrógradas propostas na Câmara pelo então presidente Eduardo Cunha. Como o senhor enxerga os novos atores que estão surgindo e suas articulações com os antigos grupos?
É impressionante. Há uma efervescência social no Brasil. Vimos isso em junho de 2013, com aquela grande movimentação que começou com os protestos contra o aumento no preço do transporte, mobilizado de maneira fantástica pelo Movimento do Passe Livre (MPL). Há, como você mencionou, o fortalecimento do MTST, um movimento muito político e radical, que talvez seja o movimento social mais importante no Brasil atualmente. Há também o movimento ecológico, o movimento feminista, os cristãos de base e muitas outras movimentações interessantes. Isso não quer dizer, porém, que os movimentos antigos tenham sumido. O movimento sindical e o MST são também muito ativos. Nossa esperança no Brasil são os movimentos sociais, pois eles mantêm uma coerência, uma independência. Esse potencial é muito menor no que se refere aos partidos políticos. Como dizia o Frei Betto, quando a política perde o horizonte utópico, torna-se mesquinha. É exatamente isso que aconteceu com o PT, com a corrupção, as capitulações, os retrocessos. Claro que ainda há pessoas no PT que acreditam no socialismo, e temos de dialogar com elas. Mas, considerando-se as esperanças que tínhamos nos anos 1980, o balanço do PT é decepcionante. Em suma, há no Brasil um potencial de mobilização, organização e protesto social que é impressionante, mas que ainda não encontra uma expressão política adequada. Isso pode mudar em algum momento, mas ainda não é o caso. Nossa grande esperança pro futuro é essa radicalidade do movimento social.
Quando fala em expressão política, o senhor pensa que essa expressão política deva se dar no âmbito da representação?
Não só. Um partido político anticapitalista não significa representação parlamentar ou outra. Essa é uma das formas, mas não é a única. Para um partido que tem como vocação mudar a sociedade, a prioridade deve ser organizar as bases, participar dos movimentos sociais, levar uma mensagem anticapitalista e socialista para o povo. Claro que as eleições fazem parte também. Mas um dos problemas do PT foi justamente ter passado a dar prioridade total à questão eleitoral e parlamentar, deixando o restante de lado. Precisamos evitar repetir esse erro.
O senhor vê alguma relação entre o que está acontecendo hoje na França, onde a população tenta resistir ao avanço de uma reforma trabalhista neoliberal, e o que acontece no Brasil, onde o novo governo também propõe uma agenda de flexibilização dos direitos do trabalho?  
Sim. Os movimentos populares, os trabalhadores, as classes subalternas, todos os movimentos sociais e de esquerda do mundo inteiro tem um adversário comum, que é o neoliberalismo. Ou melhor, o capitalismo em sua forma neoliberal. Há muitas semelhanças entre o que se passa no Brasil e na França, pois se trata de lutar contra as políticas neoliberais, sejam elas aplicadas por governos de direita ou de centro-esquerda. São as mesmas políticas e o inimigo é o mesmo. Dito isso, há obviamente movimentos específicos em conjunturas específicas. No Brasil de hoje, o problema não é mais se mobilizar contra os retrocessos do governo Dilma, mas sim enfrentar outro governo, muito mais neoliberal. Aqui na França, por enquanto, estamos numa batalha dura contra um governo de pseudoesquerda, mas que está se revelando completamente alinhado com o neoliberalismo. São batalhas difíceis, e não sei se poderemos vencer. Se por toda parte há uma afinidade é porque é sempre uma luta contra o capital, e é o capital quem domina as políticas.
No Brasil, há o desvio de uma ordem democrática legítima para uma ordem ilegítima, excepcional. Na França, além do Estado de emergência decretado desde os atentados de novembro do ano passado, temos agora o emprego de um dispositivo de exceção (o artigo “49.3”) para forçar a aprovação de uma nova lei trabalhista. Em termos de conjuntura global, observamos, portanto, um crescente uso dos dispositivos de exceção nos Estados dos países ditos desenvolvidos, países normalmente tomados como modelos de países democráticos. Nesse contexto, é possível demandar simplesmente uma restauração da ordem democrática anterior? O senhor acredita que possa existir certo esgotamento da forma democrática?
Se observarmos a história nos últimos dois séculos, o que predomina é o Estado de exceção. Na verdade, a democracia é que foi excepcional. Não diria que a forma democrática se esgotou, mas, pelo contrário, que ela é um peso grande para o Estado, para as classes dominantes e para o capital financeiro. A democracia atrapalha, ela não facilita o trabalho da política capitalista. Por isso a tendência a reduzir o espaço democrático, tomar medidas de exceção e até mesmo usar o método do golpe, como estamos vendo na América Latina. O golpe no Brasil não é o primeiro. Já tivemos golpes em Honduras e no Paraguai, e possivelmente teremos outro na Venezuela. Isso mostra que a democracia já não está mais sendo útil, que ela está atrapalhando a implantação das políticas neoliberais.
Essa foi também a história recente da Grécia. O povo grego escolheu um caminho e o capital europeu, personificado na Comissão Europeia, passou por cima dos resultados eleitorais em prol das leis do mercado. Se antes já vivíamos em uma democracia de baixa intensidade, agora parece que até mesmo essa democracia era intensa demais para as classes dominantes e para o capital financeiro. Toma-se, portanto, o caminho das medidas de exceção, de maneira diferente em cada país. No caso do Brasil, temos um golpe pseudolegal, supostamente dentro do Estado de direito, mas com uma restrição cada vez maior dos direitos. Há ainda essa tendência bem preocupante, não só na América Latina como também na Europa, de uma extrema-direita que está se aproveitando dessa conjuntura e que se apresenta como um sério candidato ao poder. Se isso se confirmar, o pouco que nos resta da democracia vai desaparecer.
Uma das principais facetas do seu trabalho é a sociologia das religiões. No Brasil, já há algum tempo, observamos o crescimento das igrejas neopentecostais. Como o senhor avalia a transição dos anos 1980, quando havia um importante trabalho de base na igreja católica, para a situação atual, com as igrejas evangélicas servindo de suporte para essa extrema-direita que ameaça tomar o poder, e que já tem força considerável no Congresso?
Nas décadas de 1980 e 1990, o cristianismo alimentou a esquerda e os movimentos sociais, o MST, a CUT, o próprio PT. Muitos desses movimentos têm suas raízes nas comunidades eclesiásticas de base, na pastoral do campo, na teologia da libertação. Isso foi importante e teve grandes consequências sociais e políticas ao Brasil. Mas entrou em crise com a adaptação do PT ao Estado burguês e ao interesse do capital, e com o esvaziamento da CUT. Essa dinâmica se esgotou, pois uma parte dos promotores daquilo que eu chamo de “cristianismo da libertação” acabou se acomodando nas instituições – governo federal, prefeituras, direções partidárias. Houve aqueles que mantiveram uma atitude profética de crítica ao poder – caso do Frei Betto, por exemplo – enquanto outros procuraram uma posição intermediária, entre crítica e apoio. Esse campo cristão progressista foi sobretudo católico, mas contou também com o protestantismo histórico: metodistas, luteranos.
Nas últimas décadas, como se sabe, surgiram com cada vez mais força os chamados “evangélicos”. As igrejas neopentecostais assumiram uma agenda bastante reacionária em todos os campos: com relação às mulheres, aos homossexuais, aos cultos afro-brasileiros, ao capitalismo – uma adesão à chamada “teologia da prosperidade”. Trata-se de uma configuração com muito impacto político, pois esses grupos organizam e financiam campanhas eleitorais. Isso é bem preocupante. Há talvez uma esperança de que a teologia da libertação volte a ganhar mais espaço, agora que o Vaticano está abrindo um pouco mais as possibilidades. Quem sabe poderemos assistir a uma nova onda do cristianismo da libertação, que talvez possa disputar este espaço com os evangélicos. Sempre há também a esperança que algum dia surja no seio das igrejas evangélicas um setor mais crítico. Acredito que já exista, aqui e acolá, mas ainda sem conseguir se estruturar em uma força sócio-religiosa de peso. A igreja católica foi durante séculos uma força ultraconservadora, até que de repente surgiu o imprevisto: alguns cristãos começaram a ler Marx. Talvez isso aconteça com os evangélicos.
Outra dimensão de seu trabalho atual é a reflexão sobre o ecossocialismo. Sabemos que o modelo de desenvolvimento do governo Dilma – e talvez do governo Lula também – foi um modelo desenvolvimentista que não prestou atenção às questões ecológicas…
Isso é verdade. O modelo de desenvolvimento adotado pelo PT não é muito diferente dos governos anteriores. É baseado na exploração da agroindústria, com a soja, a mineração, o petróleo, que trazem consequências terríveis para o meio-ambiente. A ecologia realmente não é uma preocupação. Daí a Marina Silva ter saído do governo, pelo menos no começo, com uma posição crítica legítima. Mas isso não se passa só no Brasil. Outros governos de esquerda não são diferentes. Por um lado, não é simples nem realista, do ponto de vista econômico e social, propor uma mudança de modelo e deixar de explorar os minérios, o petróleo e o gás. No caso da Venezuela, por exemplo, a economia é totalmente dependente do petróleo. Por outro lado, do ponto de vista ecológico, seria necessário fechar a torneira – não só para a Venezuela, mas para o planeta. Há um provérbio que diz: “ou se acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil”. O petróleo é muito pior do que a saúva. Ou acabamos com o petróleo, ou o petróleo acaba com a vida no planeta. É a verdade, mas ninguém quer saber. Se você diz isso aos venezuelanos de esquerda, mesmo os que se dizem ecologistas, eles perguntarão: “e do que nós vamos viver?”
Temos de ter propostas imediatas que sejam transitórias, como o plano do Parque Yasuni. No Equador, havia uma região da Amazônia com uma biodiversidade extraordinária, onde viviam comunidades indígenas. Mas, sob a floresta, havia petróleo. Os ecologistas, indígenas e camponeses fizeram uma proposta: preservar o Parque Yasuni, exigindo, em compensação, uma indenização dos países ricos – que dizem lutar contra os efeitos da poluição – equivalente à metade do valor do petróleo que se deixaria de explorar na região. Era uma proposta razoável, mas é claro que os países ricos não gostaram. O governo de esquerda do Rafael Correa, que inicialmente havia encampado a proposta, acabou cedendo com o tempo e, infelizmente, abriu a área para as companhias de petróleo. Mas esse não deixa de ser um exemplo daquilo que podemos exigir de países como o Equador, a Colômbia e a Venezuela: preservar áreas de interesse ambiental e exigir de países ricos, como os Estados Unidos, a Inglaterra e a Alemanha, que os indenizem pelo petróleo não explorado. Assim, uma dinâmica poderia ser criada. Precisamos, portanto, criticar o modelo de desenvolvimento que é ecologicamente insustentável e começar a levantar propostas concretas de coisas a serem feitas imediatamente.
Como o senhor vê a exploração do pré-sal no Brasil?
Há um consenso geral de que o pré-sal é o salvador da pátria que vai nos tirar da miséria e promover a educação e a saúde. Isso é uma mistificação, porque a maior parte do dinheiro do petróleo vai ser acaparada pelo capital. Mais do que isso, o pré-sal representa um risco muito grande de desastre ecológico. Ele requer uma nova forma de exploração em profundidade que nunca foi praticada, na qual, se houver um incidente, vai ser praticamente impossível de sanar. Não adianta a Petrobrás jurar que está tudo sob controle. Já ouvimos essa história antes, no Golfo do México, no Alasca… Se algo der errado, todas as praias do Brasil vão ser inundadas de petróleo. Infelizmente, é muito difícil fazer uma campanha contra o pré-sal no Brasil, por conta dos ganhos econômicos que foram prometidos. Temos, pelo menos, de levantar perguntas e colocar em dúvida essa euforia do pré-sal.
A América Latina como um todo, por ser um continente com grande presença de territórios e populações indígenas – populações que têm uma relação distinta com o território – poderia ser um espaço privilegiado para colocar essas questões contrárias ao modelo atual de desenvolvimento capitalista?
Absolutamente. Em função de sua cultura, da sua história, de sua espiritualidade, essas comunidades têm uma relação distinta com a natureza e com o meio ambiente. Por mais que se queira comprá-las, subordiná-las ou reprimi-las, elas resistem. Em todos os países da América Latina, e até no Canadá, os indígenas estão na primeira linha da resistência sócio-ecológica à destruição do meio ambiente pelo capital, e merecem todo nosso apoio. Naqueles países em que têm maior peso – como Equador ou Peru – já conseguiram algumas vitórias. No Brasil, o peso demográfico e social das comunidades indígenas é menor, porque foram em parte exterminadas pelo progresso. Mas é muito importante que elas estejam na Amazônia, pois, se não estivessem lá, o capital e o Estado já teriam acabado com a floresta. Um dos aderentes do nosso movimento ecossocialista, Ugo Blanco, um dirigente indígena do Peru, costuma dizer: “nós já praticamos o ecossocialismo há séculos.” Ele tem razão. A maneira com a qual as comunidades indígenas se organizam coletivamente e a relação que estabelecem com a natureza são sementes de ecossocialismo. Elas estão na vanguarda dessa luta para salvar a vida na terra.
Movimento Democrático 18 de Março (MD18) nasceu da luta contra o golpe de Estado no Brasil. Sediado em Paris, e com grande presença de pesquisadores, professores universitários, artistas e militantes de movimentos sociais, o movimento propõe ampliar a reflexão sobre as possibilidades da esquerda na atual conjuntura de crise. É com esse objetivo que o MD18 inaugura uma série de entrevistas com intelectuais, artistas e militantes de diferentes horizontes, que visam ampliar o debate sobre as formas de resistência que podem e devem advir. O projeto se inicia com a participação de grandes pensadores da esquerda como Michael LöwyBoaventura de Souza SantosNancy Fraser e Anselm Jappe, além de contar com a colaboração de inúmeros intelectuais brasileiros. As entrevistas serão disponibilizadas em português e em francês no site do MD18: http://www.md18.org/
***
Michael Löwy, sociólogo, é nascido no Brasil, formado em Ciências Sociais na Universidade de São Paulo, e vive em Paris desde 1969. Diretor emérito de pesquisas do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS). Homenageado, em 1994, com a medalha de prata do CNRS em Ciências Sociais, é autor de Revolta e melancolia: o romantismo na contracorrente da modernidade, Walter Benjamin: aviso de incêndio (2005), Lucien Goldmann ou a dialética da totalidade (2009), A teoria da revolução no jovem Marx (2012), A jaula de aço: Max Weber e o marxismo weberiano (2014) e organizador de Revoluções (2009) e Capitalismo como religião (2013), de Walter Benjamin, além de coordenar, junto com Leandro Konder, a coleção Marxismo e literatura da Boitempo. Colabora com o Blog da Boitempo esporadicamente.
Fonte: https://blogdaboitempo.com.br/2016/05/30/michael-lowy-o-estado-de-excecao-predomina-a-democracia-e-que-foi-excepcional/ em 30/05/2016 

segunda-feira, maio 30, 2016

PAÍSES DEMOCRÁTICOS E DESENVOLVIDOS TEM CONTROLE SOCIAL DA MÍDIA

A Necessidade de Controle Social da Mídia

Autor(es): 

Francisco Fonseca





Ano: 

2011
Artigo em foco: Mídia, Poder e Democracia: Teoria e Práxis dos Meios de Comunicação

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No artigo “Mídia, Poder e Democracia: Teoria e Práxis dos Meios de Comunicação”, o professor Francisco Fonseca critica a atuação da mídia brasileira e sua suposta atuação pública. O autor defende a necessidade de o país adotar formas de controle social democrático sobre a mídia, tal como existente em diversos países democráticos.
 
O autor aborda questões, tais como: a “política informacional” e o surgimento e consolidação da “sociedade midiática”; as teorias políticas sobre democracia e as falsas confluências entre mídia e democracia; a necessidade de um marco conceitual capaz de compreender o poder dos meios de comunicação; o papel dos jornais de grande circulação como indutores da agenda neoliberal no Brasil e sua posição em relação ao conflito distributivo entre capital e trabalho.
 
O autor ressalta que, em regimes democráticos, os conflitos sociais são possibilitados pelas instituições e pelas leis, assim como pelos pactos entre as classes sociais. Ressalta ainda que o sistema de governo considerado democrático é aquele que permite a manifestação de interesses diversos na esfera pública, arena que incorpora os interesses comuns e os de classes: os interesses comuns são os relacionados à nação, à identidade nacional e ao Estado nacional, e os interesses de classes aqueles que se distinguem em razão da posição e interesses de cada classe social.
 
Para Fonseca, a mídia pode influir nas agendas públicas e governamentais, intermediando as relações entre diferentes grupos sociais. Dessa forma, influenciaria a chamada opinião pública, ao participar das disputas políticas. No entanto, estes diversos papeis seriam ofuscados pela autoimagem simplista de que o dever da mídia seria o de informar sobre os acontecimentos de interesse público. Para o autor, a mídia se autodefine como neutra, independente, apartidária e não ideológica, porém carrega valores ideológicos e interesses sociais e partidários.
 
Para complicar ainda mais o quadro exposto, o poder da mídia estaria aumentado no mundo todo. A crise dos sistemas representativos tradicionais, que incluem partidos, sindicatos e movimentos sociais estaria provocando um vazio, crescentemente ocupado pela mídia por meio da política informacional. Conforme o sociólogo espanhol Manuel Castells, as sociedades contemporâneas são caracterizadas como midiáticas, isto é, suas relações sociais e de poder são intermediadas pelas diversas modalidades da mídia, que definem as regras para o jogo político e promovem fusão entre espetáculo, entretenimento e notícias. A esfera pública, portanto, seria crescentemente agendada pelo sistema midiático, que daria os contornos do que seria ou não legitimo, e do que deveria ou não ser prioritário.
 
Como o mundo estaria se tornando cada vez mais homogêneo em termos estéticos e de valores, em contraste com o aumento da desigualdade política e social, a democratização das comunicações torna-se tema de ainda maior relevância. Nesse sentido, o quarto poder representaria, de fato, o primeiro poder, dada a capacidade de influenciar a agenda política simultaneamente a atuação vigorosa como empresas capitalistas, cuja notícia é mercadoria. Vale notar que a mercadoria notícia difere das outras mercadorias, tendo em vista as consequências que pode acarretar aos grupos sociais, particularmente aos desprovidos de poder.
 
Assim, para que de fato a democracia possa se materializar, a mídia deve cumprir um papel minimamente público em meio ao universo privado e mercantil. Para isso, seriam necessárias ações que a responsabilizem e que controlem seu poder. A democratização da mídia incide diretamente na vivência democrática, pois os meios de comunicação intermedeiam as relações sociais nas sociedades de massa e incutem nas pessoas a percepção de realidades que não vivenciaram. A responsabilidade dos meios de comunicação perante a construção permanente da democracia seria, portanto, prioritária entre as preocupações democráticas. Para Fonseca, a responsabilização e o controle democrático da mídia, por meio de uma série de reformas legais, econômicas e políticas, com o intuito de dar vez e voz aos diversos grupos sociais, é essencial.
 
Entre em contato com o professor Francisco Fonseca.
 
Conheça as pesquisas realizadas pelo professor Francisco Fonseca.
http://gvpesquisa.fgv.br/publicacoes/gvp/necessidade-de-controle-social-da-midia em 29/05/2016

sexta-feira, maio 27, 2016

Pai Nosso dos dias atuais

TEMER/PMDB/PSDB e AÉCIO MENTIRAM AO DAR O GOLPE, CRISE ECONÔMICA ATINGE O MUNDO

As dificuldades criadas pela crise econômica no setor do trabalho persistem na França, com uma taxa de desemprego superior a 10% e que se constitue atualmente numa das principais preocupações para os franceses.


Agência de emprego em ParisAgência de emprego em Paris
O chefe de Estado François Hollande condicionou sua candidatura às eleições de 2017 ao tema do emprego e do trabalho, já que reiterou que só se apresentará se ocorrer uma queda sensivel do desemprego, o que é uma de suas promessas de campanha eleitoral de 2012.

Analistas concordam que alguns dos principais desafios do governo são relativos à área econômica, concretamente aos trabalhadores e ao crescimento econômico, ainda insuficiente para conseguir uma recuperação sustentada do emprego.

O número de desempregados aumentou em fevereiro, com 38.400 novas pessoas registradas procurando trabalho e atingiu os 3,59 milhões, um novo recorde.

Segundo dados divulgados pelo Ministério de Trabalho, o incremento, o maior desde setembro de 2013, chega depois da queda em janeiro.

Estas tendências inscrevem-se em um "movimento de altas e baixas observado desde faz nove meses, que se traduzem em uma tímida recuperação da atividade econômica", expressou a ministra de Trabalho, Myriam O Khomri.

Depois de vários anos, as políticas do Executivo não têm conseguido enfrentar efetivamente um dos principais problemas que golpeia aos franceses.

A mais recente das iniciativas governamentais ao respeito, um projeto de lei de reforma trabalhista, é recusada pela maioria da população, segundo sondagens.

Várias manifestações realizaram-se neste mês ao chamado de sindicatos de trabalhadores e de organizações juvenis e estudantis, para pedir a retirada definitiva desse plano, ao considerar que dá plenas liberdades ao empresariado em detrimentos dos direitos dos empregados.


Fonte: Prensa Latina

quinta-feira, maio 26, 2016

O QUE É CORPUS CRISTI ?

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A Festa de “Corpus Christi” é a celebração em que solenemente a Igreja comemora o Santíssimo Sacramento da Eucaristia; sendo o único dia do ano que o Santíssimo Sacramento sai em procissão às nossas ruas. Nesta festa os fiéis agradecem e louvam a Deus pelo inestimável dom da Eucaristia, na qual o próprio Senhor se faz presente como alimento e remédio de nossa alma. A Eucaristia é fonte e centro de toda a vida cristã. Nela está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, o próprio Cristo.
A Festa de Corpus Christi surgiu no séc. XIII, na diocese de Liège, na Bélgica, por iniciativa da freira Juliana de Mont Cornillon, (†1258) que recebia visões nas quais o próprio Jesus lhe pedia uma festa litúrgica anual em honra da Sagrada Eucaristia.
Aconteceu que quando o padre Pedro de Praga, da Boêmia, celebrou uma Missa na cripta de Santa Cristina, em Bolsena, Itália, ocorreu um milagre eucarístico: da hóstia consagrada começaram a cair gotas de sangue sobre o corporal após a consagração. Dizem que isto ocorreu porque o padre teria duvidado da presença real de Cristo na Eucaristia.
O Papa Urbano IV (1262-1264), que residia em Orvieto, cidade próxima de Bolsena, onde vivia S. Tomás de Aquino, ordenou ao Bispo Giacomo que levasse as relíquias de Bolsena a Orvieto. Isso foi feito em procissão. Quando o Papa encontrou a Procissão na entrada de Orvieto, pronunciou diante da relíquia eucarística as palavras: “Corpus Christi”.
Em 11/08/1264 o Papa aprovou a Bula “Transiturus de mundo”, onde prescreveu que na 5ª feira após a oitava de Pentecostes, fosse oficialmente celebrada a festa em honra do Corpo do Senhor. São Tomás de Aquino foi encarregado pelo Papa para compor o Ofício da celebração. O Papa era um arcediago de Liège e havia conhecido a Beata Cornilon e havia percebido a luz sobrenatural que a iluminava e a sinceridade de seus apelos.
Em 1290 foi construída a belíssima Catedral de Orvieto, em pedras pretas e brancas, chamada de “Lírio das Catedrais”. Antes disso, em 1247, realizou-se a primeira procissão eucarística pelas ruas de Liège, como festa diocesana, tornando-se depois uma festa litúrgica celebrada em toda a Bélgica, e depois, então, em todo o mundo no séc. XIV, quando o Papa Clemente V confirmou a Bula de Urbano IV, tornando a Festa da Eucaristia um dever canônico mundial.
Em 1317, o Papa João XXII publicou na Constituição Clementina o dever de se levar a Eucaristia em procissão pelas vias públicas. A partir da oficialização, a Festa de Corpus Christi passou a ser celebrada todos os anos na primeira quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade.
Todo católico deve participar dessa Procissão por ser a mais importante de todas que acontecem durante o ano, pois é a única onde o próprio Senhor sai às ruas para abençoar as pessoas, as famílias e a cidade. Em muitos lugares criou-se o belo costume de enfeitar as casas com oratórios e flores e as ruas com tapetes ornamentados, tudo em honra do Senhor que vem visitar o seu povo.
Começaram assim as grandes procissões eucarísticas, as adorações solenes, a Bênção com o Santíssimo no ostensório por entre cânticos. Surgiram também os Congressos Eucarísticos, as Quarenta Horas de Adoração e inúmeras outras homenagens a Jesus na Eucaristia. Muitos se converteram e todo o mundo católico.
Eucaristia: Presença real de Jesus no pão e no vinho consagrados
Todos os católicos reconhecem o valor da Eucaristia. Podemos encontrar vários testemunhos da crença da real presença de Jesus no pão e vinho consagrados na missa desde os primórdios da Igreja.
Mas, certa vez, no século VIII, na freguesia de Lanciano (Itália), um dos monges de São Basílio foi tomado de grande descrença e duvidou da presença de Cristo na Eucaristia. Para seu espanto, e para benefício de toda a humanidade, na mesma hora a Hóstia consagrada transformou-se em carne e o Vinho consagrado transformou-se em sangue. Esse milagre tornou-se objeto de muitas pesquisas e estudos nos séculos seguintes, mas o estudo mais sério foi feito em nossa era, entre 1970/71 e revelou ao mundo resultados impressionantes:
A Carne e o Sangue continuam frescos e incorruptos, como se tivessem sido recolhidos no presente dia, apesar dos doze séculos transcorridos.
O Sangue encontra-se coagulado externamente em cinco partes; internamente o sangue continua líquido.
Cada porção coagulada de sangue possui tamanhos diferentes, mas todas possuem exatamente o mesmo peso, não importando se pesadas juntas, combinadas ou separadas.
São Carne e Sangue humanos, ambos do grupo sanguíneo AB, raro na população do mundo, mas característico de 95% dos judeus.
Todas as células e glóbulos continuam vivos.
A carne pertence ao miocárdio, que se encontra no coração (e o coração sempre foi símbolo de amor!).cpasegredodasagradaeucaristia
Mesmo com esse milagre, entre os séculos IX e XIII surgiram grandes controvérsias sobre a presença real de Cristo na Eucaristia; alguns afirmavam que a ceia se tratava apenas de um memorial que simbolizava a presença de Cristo. Foi somente em junho de 1246 que a festa de Corpus Christi foi instituída, após vários apelos de Santa Juliana que tinha visões que solicitavam a instituição de uma festa em honra ao Santíssimo Sacramento. Em outubro de 1264 o papa Urbano IV estendeu a festa para toda a Igreja. Nessa festa, o maior dos sacramentos deixados à Igreja mostra a sua realidade: a Redenção.
A Eucaristia é o memorial sempre novo e sempre vivo dos sofrimentos de Jesus por nós. Mesmo separando seu Corpo e seu Sangue, Jesus se conserva por inteiro em cada uma das espécies. É pela Eucaristia, especialmente pelo Pão, sinal do alimento que fortifica a alma, que tomamos parte na vida divina, nos unindo a Jesus e, por Ele, ao Pai, no amor do Espírito Santo. Essa antecipação da vida divina aqui na terra mostra-nos claramente a vida que receberemos no Céu, quando nos for apresentado, sem véus, o banquete da eternidade.
O centro da missa será sempre a Eucaristia e, por ela, o melhor e o mais eficaz meio de participação no divino ofício. Aumentando a nossa devoção ao Corpo e Sangue de Jesus, como ele próprio estabeleceu, alcançaremos mais facilmente os frutos da Redenção!

Prof. Felipe Aquino - Canção Nova

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